Mulheres que Pensam o Brasil debatem prioridades para as eleições de 2026

Movimento apresenta às candidaturas Carta com compromissos construídos coletivamente para ampliar a participação feminina, destacar pautas e fortalecer a democracia brasileira

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Lideranças femininas, representantes de instituições públicas, especialistas, pré-candidatas, integrantes da academia, da sociedade civil e da iniciativa privada reuniram-se, em 14 de julho, no Plenário 3 da Câmara dos Deputados, em Brasília, para uma nova etapa do projeto Mulheres que Pensam o Brasil e da construção da Carta das Mulheres para a Política.

Realizado das 17h às 21h, o encontro consolidou uma articulação suprapartidária e multissetorial destinada a transformar demandas históricas das mulheres em propostas concretas para o debate público e para as eleições de 2026. A iniciativa busca ampliar a presença feminina nos espaços de poder, fortalecer a democracia paritária e cobrar das candidaturas compromissos objetivos, transparentes e verificáveis com a representação das mulheres.

O movimento é liderado pela Quero Você Eleita, em articulação estratégica com o Instituto Global ESG, Elas Pedem Vista, Elas no Poder, Instituto Latino-Americano de Governança e Compliance Público, Rede Governança Brasil, RIG — Mulheres em Relações Governamentais, Lumine Gestão & Comunicação e outras organizações comprometidas com a igualdade de gênero e o fortalecimento das instituições democráticas.

A reunião deu continuidade ao diálogo iniciado em 21 de maio, no Senado Federal, e ampliou a participação de mulheres de diferentes áreas, regiões, orientações políticas e trajetórias profissionais na construção colaborativa da Carta.

O documento pretende reunir prioridades, diagnósticos e soluções formulados pelas próprias mulheres e, após sua consolidação, deverá ser apresentado às candidaturas à Presidência da República e a outras lideranças políticas. A proposta é converter a Carta em uma agenda nacional de incidência, acompanhamento e cobrança pública durante o processo eleitoral de 2026 e nos anos seguintes.

 

Do discurso aos compromissos concretos

A premissa central do movimento é que a representação feminina não pode permanecer restrita a manifestações de apoio, promessas eleitorais ou ao número formal de candidaturas registradas pelos partidos.

As participantes defenderam que o compromisso das organizações partidárias e das futuras administrações públicas seja avaliado pela quantidade de mulheres efetivamente eleitas, nomeadas para funções estratégicas, inseridas nos centros de decisão e dotadas de condições materiais para exercer liderança política.

Fundadora e CEO do movimento Quero Você Eleita, Gabriela Rollemberg afirmou que a Carta busca inaugurar um novo padrão de diálogo com os partidos e com as candidaturas de 2026.

Os partidos precisam deixar de medir seu compromisso com as mulheres pelo número de candidaturas registradas e passar a medi-lo pelo número de mulheres que chegam aos espaços de poder. Representação não pode ser apenas uma formalidade eleitoral. Ela precisa ser traduzida em condições reais de participação, competitividade, permanência e liderança”, afirmou.

Segundo Gabriela, as eleitoras brasileiras querem participar diretamente da formulação das propostas que lhes dizem respeito, em vez de apenas receber agendas definidas sem sua presença.

A Carta das Mulheres para a Política parte de uma ideia muito objetiva: ninguém possui mais legitimidade para estabelecer as prioridades das mulheres do que as próprias mulheres. Queremos apresentar uma agenda construída coletivamente e perguntar às candidaturas quais compromissos concretos estão dispostas a assumir. O voto feminino quer compromisso, não apenas promessa”, acrescentou.

A Carta não se limita ao ciclo eleitoral de 2026. O Mulheres que Pensam o Brasil foi concebido como um projeto de longo prazo, com horizonte de dez anos, destinado a formar lideranças, conectar organizações, produzir propostas, acompanhar compromissos institucionais e contribuir para dobrar a representação feminina no Congresso Nacional.

 

Agenda construída pelas próprias mulheres

Durante o encontro, foram discutidas propostas relacionadas à participação política, à proteção jurídica, à autonomia das candidaturas femininas, à saúde, à dignidade, à cultura, à educação, à comunicação e ao reconhecimento da economia do cuidado.

Entre os eixos incorporados ao processo de elaboração da Carta estão:

  • democracia paritária e maior presença feminina nos espaços de decisão;
  • paridade de gênero na composição de ministérios e funções estratégicas;
  • reserva de cadeiras para mulheres no Poder Legislativo;
  • fortalecimento das candidaturas femininas proporcionais e majoritárias;
  • prevenção e enfrentamento da violência política de gênero;
  • proteção jurídica e institucional das mulheres que atuam na vida pública;
  • autonomia na gestão dos recursos destinados às candidaturas femininas;
  • financiamento adequado da pré-campanha;
  • formação política e preparação de candidatas;
  • saúde integral da mulher;
  • dignidade, inclusão e igualdade de oportunidades;
  • reconhecimento econômico, social e previdenciário do trabalho de cuidado;
  • proteção das mães atípicas;
  • valorização da cultura, da educação e da comunicação como instrumentos de transformação social;
  • fortalecimento de redes de apoio e cooperação entre mulheres.

 

Abertura institucional reúne organizações parceiras

A programação foi iniciada com uma abertura institucional dedicada ao acolhimento das participantes, à apresentação dos objetivos do projeto e ao compromisso das organizações envolvidas com a Carta.

Participaram desse momento:

  • Vera Lúcia Santana Araújo, ex-ministra substituta do Tribunal Superior Eleitoral;
  • Gabriela Rollemberg, fundadora e CEO do Quero Você Eleita e diretora da Elas Pedem Vista;
  • Paola Comin, diretora de Relações Internacionais do Instituto Global ESG;
  • Letícia Dorfman Palma, diretora-executiva da Lumine Gestão & Comunicação;
  • Bianca Gonçalves e Silva, diretora da Elas Pedem Vista e integrante do Observatório de Violência Política contra a Mulher;
  • Joyce Matias, representante da RIG — Mulheres em Relações Governamentais;
  • Júlia Rios, diretora financeira da Elas no Poder.

 

Paridade, direitos políticos e proteção jurídica

A primeira mesa temática, realizada das 18h às 19h, abordou o tema “Paridade no Poder, Direitos Políticos e Proteção Jurídica”.

Moderado por Gabriela Rollemberg, o painel reuniu:

  • Clarice Costa Calixto, procuradora-geral da União;
  • Noemia Porto, conselheira do Conselho Nacional de Justiça;
  • Christine Peter da Silva, secretária-geral do Centro de Estudos Constitucionais do Supremo Tribunal Federal;
  • Margarete Coelho, diretora de Administração e Finanças do Sebrae Nacional;
  • Rebecca Lemos Igreja, secretária-geral da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais;
  • Gabriela Neves Delgado, professora titular da Universidade de Brasília, advogada e coordenadora do Grupo de Pesquisa Trabalho, Constituição e Cidadania;
  • Bianca Gonçalves e Silva, diretora da Elas Pedem Vista e integrante do Observatório de Violência Política contra a Mulher.

 

Dignidade, saúde e economia do cuidado

A segunda mesa, realizada das 19h às 20h, tratou do tema “Dignidade, Saúde e Economia do Cuidado”.

Moderada por Paola Comin, a discussão reuniu lideranças de instituições públicas, universidades, organismos de cooperação, iniciativa privada e sociedade civil, entre elas:

  • Ilana Trombka, diretora-geral do Senado Federal;
  • Márcia Rollemberg, secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura;
  • Semíramis de Oliveira Duro, vice-presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais;
  • Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, vice-presidente da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais;
  • Vanessa Duarte, secretária-executiva do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Legal;
  • Márcia Abrahão Moura, ex-reitora da Universidade de Brasília;
  • Rebecca Lemos Igreja, secretária-geral da FLACSO;
  • Sandra Soares Costa, vice-presidente do Conselho de Administração do Grupo Sabin;
  • representantes da Revista Esplanada Mulher.

 

Instituto Global ESG relaciona equidade de gênero à agenda social

O Instituto Global ESG participou como correalizador e apoiador institucional da iniciativa, contribuindo para a articulação das organizações, para a realização do encontro e para o desenvolvimento de uma agenda suprapartidária e multissetorial.

A atuação da instituição parte do entendimento de que a agenda ESG não se limita à dimensão ambiental. O componente social inclui direitos humanos, diversidade, inclusão, equidade de gênero, proteção de grupos vulneráveis e participação efetiva nos espaços de decisão.

Para a diretora de Relações Internacionais do Instituto Global ESG e do Grupo Arnone — Ecossistema de Impacto Legal, Empresarial e Institucional, Paola Comin, o encontro demonstrou que mulheres com diferentes visões políticas podem reconhecer experiências comuns e construir soluções coletivas.

Foi um encontro que ultrapassou divisões partidárias e ideológicas. Mulheres de diferentes trajetórias se reconheceram em desafios que atravessam a vida de todas: a conciliação entre cuidado e trabalho, a dificuldade de ocupar posições de liderança, a desconfiança sobre suas competências e as formas de violência que ainda limitam sua presença na vida pública”, afirmou.

Segundo Paola, a transformação depende da capacidade de substituir disputas estéreis por cooperação institucional.

Precisamos construir pontes em lugar de muros. A equidade de gênero é uma dimensão essencial do desenvolvimento sustentável e do componente social do ESG. Não haverá governança verdadeiramente representativa enquanto as mulheres estiverem fora dos espaços em que as decisões são tomadas. O ESG na prática também acontece no Parlamento, nos tribunais, nas empresas, nas universidades e em todas as instituições que definem os rumos do país”, acrescentou.

Paola também destacou que o cuidado não deve ser tratado como fragilidade ou responsabilidade exclusivamente privada.

O cuidado é uma força social, econômica e política. Quando reconhecido e transformado em política pública, ele melhora a qualidade das instituições, amplia oportunidades e produz respostas mais humanas para os problemas do país. A Carta representa uma oportunidade de converter essa percepção em compromissos estruturados e acompanháveis”, disse.

 

Um movimento de dez anos

O Mulheres que Pensam o Brasil foi estruturado como um projeto de longo prazo e sucede experiências anteriores da Quero Você Eleita, entre elas formações, mentorias, encontros, workshops e redes de fortalecimento de lideranças femininas.

O movimento também aproveita o aprendizado obtido com o projeto Bancada Feminina na COP30, que mobilizou mulheres de diferentes regiões na construção da Carta das Mulheres para a COP30, apresentada no contexto da conferência climática das Nações Unidas.

Agora, a experiência é ampliada para uma agenda política nacional, com o objetivo de reunir propostas, acompanhar compromissos e consolidar uma rede de mulheres capazes de atuar nos diferentes territórios e instituições.

As participantes foram convidadas a se tornar embaixadoras do Mulheres que Pensam o Brasil, fortalecendo uma articulação nacional formada por parlamentares, pré-candidatas, advogadas, magistradas, procuradoras, gestoras, integrantes de procuradorias da mulher, especialistas e organizações da sociedade civil.

 

Confira a transmissão ao vivo nos canais da Câmara dos Deputados: https://www.youtube.com/live/IEFxg4rXdJk?is=R8gZ1DwWZVd8-Gf9


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