Quando o Brasil se mobilizou pelo Rio Grande do Sul
Memória da cobertura, das ações humanitárias e das redes de solidariedade mobilizadas diante das enchentes históricas que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024.
Entre o final de abril e os meses seguintes de 2024, o Rio Grande do Sul viveu uma das mais graves emergências climáticas de sua história. Chuvas extraordinárias, cheias de rios, inundações, deslizamentos e colapso de infraestruturas atingiram cidades inteiras, interromperam transportes, desalojaram populações e colocaram milhares de famílias diante de perdas humanas, materiais, econômicas e afetivas.
A dimensão da tragédia ultrapassou a resposta convencional a um evento meteorológico. O desastre tornou-se uma crise simultaneamente humanitária, ambiental, sanitária, econômica, urbana, logística, cultural e institucional. Em diferentes momentos, a prioridade foi salvar vidas; depois, garantir água, alimento, medicamentos, roupas e abrigo; enfrentar doenças; resgatar animais; restabelecer circulação; apoiar trabalhadores e empresas; recuperar moradias, patrimônio e atividades econômicas; e iniciar um processo de reconstrução que necessariamente precisaria incorporar resiliência climática.
O Portal Global ESG acompanhou aquele período por meio de notícias, vídeos e registros das diferentes dimensões da emergência. Paralelamente, o Instituto Global e parceiros participaram de ações sociais e humanitárias voltadas ao recebimento, organização, transporte e distribuição de doações.
Esta página preserva parte dessa memória. Não pretende transformar sofrimento em celebração. Seu propósito é registrar o que aconteceu, reconhecer a mobilização coletiva e lembrar que sustentabilidade, responsabilidade social, cooperação institucional e capacidade de resposta a riscos climáticos precisam existir antes, durante e depois das emergências.
Uma crise que atingiu todas as dimensões da vida
A enchente não terminou quando a água começou a baixar. Seus efeitos se prolongaram sobre saúde, moradia, trabalho, produção, transporte, cultura, patrimônio, empresas, famílias e comunidades inteiras.
Resgates, pessoas ilhadas, abrigos, deslocamentos e procura por desaparecidos marcaram a fase mais crítica da resposta.
Água contaminada, leptospirose, doenças infecciosas, aglomeração em abrigos e acesso a medicamentos ampliaram os riscos.
Empresas, trabalhadores, produtores rurais, turismo, comércio e cadeias logísticas precisaram de medidas emergenciais de apoio.
Habitação, infraestrutura, patrimônio, planejamento territorial e prevenção de novos desastres passaram ao centro do debate.
Os registros em vídeo daquele período
A playlist especial reúne vídeos produzidos e distribuídos durante a emergência e permite reconstruir, em imagens, diferentes momentos da mobilização social e humanitária.
Da mobilização à entrega: ações humanitárias
Uma das frentes documentadas pelo Portal foi a mobilização de organizações, empresas, voluntários e parceiros para transformar solidariedade em logística concreta: recebimento, triagem, transporte aéreo e terrestre e distribuição dos itens.
Ação humanitária Maio de 2024
Instituto Global e parceiros levam mais de 20 toneladas de doações de São Paulo para o Rio Grande do Sul
A mobilização reuniu Instituto Global, MineToo, IDEHM, parceiros institucionais, voluntários e estruturas logísticas. Uma carreta partiu do Campo de Marte, em São Paulo, transportando mais de 20 toneladas de donativos destinados às comunidades afetadas.
O trabalho envolveu arrecadação, separação, logística multimodal, articulação no Rio Grande do Sul e identificação das necessidades de abrigos, famílias e animais atingidos.
Ler a matéria completaQuando a aviação se tornou corredor de solidariedade
Nos primeiros dias da emergência, o bloqueio de rodovias, aeroportos e acessos terrestres transformou a logística em um dos maiores desafios. Aeronaves privadas, empresas do setor aéreo, pilotos, voluntários e estruturas de hangar passaram a colaborar para acelerar a chegada de água, alimentos, roupas, medicamentos e outros itens.
A MineToo disponibilizou estrutura no Campo de Marte e, ao lado de parceiros do setor de aviação, realizou os primeiros voos com donativos para o Rio Grande do Sul.
Uma mobilização que atravessou o País
A resposta emergencial não teve um único protagonista. Empresas, organizações sociais, atletas, cidadãos, instituições públicas, Forças Armadas, entidades profissionais e voluntários assumiram diferentes papéis.
Programa Aero, Gran Petro Aviation e VMF Turbinas participaram da mobilização aérea.
Ler matériaA crise logística levou à utilização emergencial de trechos rodoviários para recebimento de aeronaves e suprimentos.
Ler matériaA tragédia mobilizou também empresas internacionais e seus executivos.
Ler matériaAtletas também passaram a utilizar visibilidade, recursos e estruturas próprias para incentivar ajuda.
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A solidariedade também assumiu formato digital: tecnologia, consultoria e apoio remoto permitiram contribuir sem pressionar a infraestrutura local.
Ler matériaA emergência exigiu atenção específica às pessoas com deficiência e aos usuários de serviços continuados de saúde.
Ler matériaDepois das águas, novos riscos apareceram
A fase posterior às inundações trouxe outra emergência: contaminações, doenças infecciosas, leptospirose, aglomeração em abrigos e condições particularmente graves para populações vulneráveis.
Reconstruir casas, empresas, cultura e meios de vida
A passagem da resposta emergencial para a reconstrução trouxe novos desafios: crédito, moradia, emprego, turismo, patrimônio cultural, produção rural e desenho institucional de longo prazo.
A recuperação passou a demandar estrutura jurídica e governança próprias.
LerCrédito e preservação da atividade econômica tornaram-se parte da resposta ao desastre.
LerA reconstrução de moradias tornou-se uma das dimensões mais duradouras da crise.
LerA recuperação do turismo passou a integrar a estratégia de retomada de renda, empregos e territórios.
Ler
Museus, arquivos e bens culturais também sofreram danos e passaram a integrar a agenda de recuperação.
LerA recuperação econômica também precisou lidar com novos riscos sanitários sobre cadeias produtivas.
LerAcervo especial da cobertura
Os conteúdos abaixo permitem percorrer diferentes dimensões da emergência e de sua resposta, da solidariedade imediata às políticas de recuperação.
Mobilização humanitária
Salvamento e logística
Consequências humanas
Retomar e reconstruir
Recuperação para além da infraestrutura
Arquivo audiovisual
A memória também é uma ferramenta de prevenção.
Grandes desastres climáticos não podem ser tratados apenas como acontecimentos excepcionais a serem superados e esquecidos. Eles revelam vulnerabilidades acumuladas: ocupação territorial inadequada, infraestrutura insuficiente, fragilidade de sistemas de drenagem, desigualdade social, dificuldade logística, exposição sanitária e baixa preparação para eventos extremos.
Preservar a memória das enchentes de 2024 significa também perguntar o que mudou depois delas. Quais cidades se tornaram mais resilientes? Quais estruturas de alerta foram aperfeiçoadas? Como empresas passaram a incorporar riscos climáticos? Que aprendizados entraram nos planos públicos? Como proteger populações vulneráveis? Como transformar solidariedade emergencial em capacidade permanente de prevenção e resposta?
Lembrar para compreender. Compreender para agir melhor.
Esta cobertura especial preserva parte da memória da emergência, das pessoas atingidas e das redes que se mobilizaram. A solidariedade foi indispensável. A prevenção, a adaptação e a construção de resiliência precisam ser permanentes.
Assistir à cobertura audiovisual completa

