A terceira edição da newsletter EPICENTRO aprofunda um dos debates mais relevantes da agenda internacional de sustentabilidade e governança ao analisar os impactos da ABNT ISO IWA 48:2026, documento que introduz um modelo de maturidade institucional para implementação dos princípios ESG. Assinado por Sóstenes Marchezine, em cooperação com a Rede Global ESG de Comunicação, o novo boletim sustenta que a principal transformação em curso não está na criação de novas exigências, mas na mudança da forma como organizações públicas e privadas passam a ser compreendidas.
Sob o título “Da Conformidade à Maturidade: A arquitetura institucional do ESG proposta pela ABNT ISO IWA 48:2026”, a publicação argumenta que a sustentabilidade deixa de ser avaliada apenas pela existência de políticas, relatórios ou certificações e passa a ser medida pela capacidade institucional de incorporar o ESG à estratégia, à governança, à cultura organizacional e aos processos de tomada de decisão.
“O verdadeiro debate deixa de ser se uma organização possui políticas ESG. A pergunta passa a ser em que estágio de maturidade institucional ela se encontra. Essa mudança aproxima definitivamente sustentabilidade, governança, estratégia e cultura organizacional”, afirma Sóstenes Marchezine no editorial da publicação.
A análise demonstra que a ISO propõe uma lógica evolutiva baseada em quatro estágios de maturidade, substituindo a tradicional visão binária que classificava organizações apenas entre aquelas que adotavam ou não práticas ESG. Segundo o boletim, essa abordagem representa uma mudança de paradigma semelhante às transformações que marcaram a consolidação da governança corporativa, do compliance e da integridade institucional nas últimas décadas.
Além da interpretação técnica da norma, a terceira edição apresenta uma leitura própria da EPICENTRO, examinando os impactos dessa nova arquitetura institucional sob cinco perspectivas integradas: Estado, Mercado, Direito, Governança e Sustentabilidade. A publicação sustenta que a maturidade institucional tende a tornar-se um novo indicador de confiança organizacional, influenciando decisões de investidores, reguladores, conselhos de administração, instituições públicas e organizações do terceiro setor.
O boletim também contextualiza a evolução desse debate ao conectar a nova publicação às duas primeiras edições da série. Enquanto a EPICENTRO #001 analisou a inflexão promovida pela Resolução CVM nº 244/2026 na regulação brasileira do reporte de sustentabilidade, e a EPICENTRO #002 examinou a cooperação estratégica entre a Organização das Nações Unidas (ONU), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Organização Internacional de Normalização (ISO) para consolidação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), a nova edição amplia a reflexão para responder como as organizações precisarão evoluir diante desse novo cenário internacional.
Ao longo da publicação, são discutidas as conexões entre a ABNT ISO IWA 48:2026, os padrões internacionais IFRS S1 e IFRS S2, a evolução da governança corporativa, a integração entre riscos financeiros e riscos de sustentabilidade, a Resolução CVM nº 244/2026 e outros movimentos regulatórios que convergem para um modelo baseado em capacidade institucional, melhoria contínua e criação sustentável de valor.
A edição reúne ainda análises sobre os quatro estágios de maturidade previstos pela norma, tendências para o curto, médio e longo prazo, oportunidades para organizações públicas e privadas, riscos relacionados ao chamado “greenwashing de maturidade” e sete insights estratégicos sobre o futuro da governança.
Para Marchezine, a principal vantagem competitiva das próximas décadas poderá estar menos nos ativos tradicionais e cada vez mais na qualidade das instituições.
“A história demonstra que as grandes transformações organizacionais começam quando muda a forma de compreender as organizações. A maturidade institucional tende a tornar-se um dos principais ativos estratégicos do futuro, porque organizações resilientes serão aquelas capazes de tomar boas decisões de maneira consistente”, conclui o autor.
A íntegra da EPICENTRO #003 pode ser acessada no LinkedIn:
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