EPICENTRO analisa cooperação entre ONU e ISO e nova arquitetura internacional para implementação dos ODS

Segunda edição da newsletter, produzida em cooperação com a Rede Global ESG de Comunicação, mostra como a Agenda 2030 começa a avançar da formulação política para sistemas de gestão, governança, impacto e melhoria contínua

Por
5 Min

A segunda edição da newsletter EPICENTRO apresenta uma análise sobre a cooperação oficial entre o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento — PNUD — e a Organização Internacional de Normalização — ISO — e seus possíveis efeitos sobre governos, empresas, investidores e instituições.

Produzido por Sóstenes Marchezine em cooperação com a Rede Global ESG de Comunicação, o boletim examina como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável podem deixar de ser apenas referências institucionais ou elementos de comunicação para serem incorporados ao planejamento estratégico, à gestão de riscos, à tomada de decisão, aos investimentos, às cadeias de valor, à mensuração de impactos e à prestação de contas.

Intitulada “A cooperação oficial entre a ONU e a ISO para a consolidação sistêmica da Agenda de Desenvolvimento Sustentável com Inteligência”, a publicação reúne documentos oficiais, projetos normativos, relatórios internacionais e referências relacionadas aos 17 ODS.

A Agenda 2030 estabeleceu objetivos políticos globais. A cooperação entre o PNUD e a ISO começa a construir instrumentos técnicos para transformar esses objetivos em processos, responsabilidades, indicadores e capacidade institucional”, destaca Sóstenes Marchezine, editor da EPICENTRO.


Da orientação ao sistema de gestão

A edição recupera o acordo anunciado por PNUD e ISO em setembro de 2023 e apresenta a ISO/UNDP PAS 53002:2024, lançada no ano seguinte como a primeira orientação internacional especificamente direcionada à integração dos ODS às operações e estratégias das organizações.

O boletim também analisa a evolução do documento para a futura ISO/UNDP 53002, atualmente em fase final do processo internacional de aprovação.

A mudança no título revela a dimensão da transformação. A PAS trata de diretrizes para contribuir com os ODS. O novo projeto trata de sistemas de gestão e orientação para implementação.

A mudança não é apenas editorial. Representa a passagem da contribuição para a gestão, da intenção para a implementação, da comunicação para a governança e do compromisso para a capacidade institucional”, afirma a newsletter.

Na prática, um sistema de gestão exige liderança, definição de responsabilidades, planejamento, recursos, controles, monitoramento, auditoria e melhoria contínua.

Com isso, o debate deixa de se concentrar apenas em saber se uma organização declara apoio aos ODS. Passa a questionar se esses objetivos efetivamente influenciam suas decisões.

 

Um mapa normativo para os 17 ODS

Um dos destaques da edição é o levantamento de normas ISO relacionadas aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

A publicação conecta os ODS a referências técnicas sobre responsabilidade social, saúde e segurança, educação, diversidade, água, energia, inovação, cidades sustentáveis, compras responsáveis, economia circular, clima, biodiversidade, integridade, compliance e governança.

Segundo a análise, a futura ISO/UNDP 53002 poderá funcionar como uma camada de integração entre esse amplo conjunto de normas e a estratégia de desenvolvimento sustentável das organizações.

A existência de normas relacionadas aos ODS não significa, por si só, que uma instituição possua uma estratégia integrada. A nova arquitetura poderá ajudar a conectar impactos, prioridades, metas, recursos, responsabilidades e resultados”, observa o texto.

 

Impactos para Estado, mercado e governança

Para o setor público, a norma poderá apoiar planejamento governamental, políticas públicas, compras, concessões, empresas estatais, indicadores, controle e prestação de contas.

Para as empresas, poderá estimular a passagem do alinhamento reputacional para a integração gerencial, alcançando estratégia, investimentos, fornecedores, critérios de crédito, due diligence e remuneração de lideranças.

Embora voluntárias, normas técnicas também podem produzir efeitos jurídicos quando incorporadas a contratos, editais, financiamentos, políticas internas e cadeias de fornecimento.

Na governança, a principal mudança está na definição de quem decide, quem supervisiona, quais impactos devem ser enfrentados, como os recursos serão alocados e de que forma os resultados serão avaliados.

É esse deslocamento que transforma uma agenda temática em arquitetura institucional”, sintetiza a EPICENTRO.

 

Riscos e oportunidades

A publicação também alerta para riscos como burocratização, conformidade meramente documental, assimetria de capacidade entre organizações e uso reputacional da norma sem transformação efetiva dos impactos.

Ao mesmo tempo, identifica oportunidades para gestão de impacto, finanças sustentáveis, auditoria, capacitação profissional, inovação, políticas públicas e cooperação institucional.

A edição ainda acompanha o desenvolvimento da ISO/UNDP 53001, voltada a requisitos, o que pode indicar a formação de uma futura família ISO/UNDP 53000 dedicada à gestão dos ODS.

A publicação da norma não encerrará o debate. Ela abrirá uma nova etapa, voltada à implementação, interpretação, avaliação, auditoria, eventual certificação e incorporação às instituições”, conclui o boletim.

 

Sobre a EPICENTRO

A EPICENTRO é uma newsletter dedicada à análise das transformações que influenciam decisões empresariais, políticas públicas, estratégias regulatórias e modelos de governança.

Seu campo editorial está no ponto de convergência entre Estado, Mercado, Direito, Governança e Sustentabilidade.

 

Acesse a íntegra

Plataforma Substack:

https://oepicentro.substack.com/002

LinkedIn:

https://www.linkedin.com/pulse/epicentro-002-coopera%C3%A7%C3%A3o-oficial-entre-onu-e-iso-para-marchezine-hn7i


Notícias Relacionadas »