Reporte obrigatório de sustentabilidade mobiliza interesses de empresas, investidores e prestadores de serviços

Debate no Sustentalks analisa quem suporta os custos da divulgação, o papel dos diferentes agentes e a necessidade de preservar transparência, eficiência e proteção do investidor

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A implementação obrigatória dos padrões internacionais de sustentabilidade envolve interesses econômicos de companhias, investidores, auditores, consultorias e demais prestadores de serviços.

 

O tema foi abordado no Sustentalks durante a discussão sobre os custos associados às normas IFRS S1 e IFRS S2 e as manifestações apresentadas por diferentes entidades ao longo do processo regulatório.

 

O diretor da Comissão de Valores Mobiliários João Accioly afirmou que a análise pública precisa considerar os incentivos de cada participante.

 

Os agentes defendem seus pontos de vista”, disse.

 

Segundo ele, prestadores de serviços podem se beneficiar economicamente da obrigatoriedade, enquanto as companhias buscam evitar despesas que não produzam retorno suficiente.

 

 

Interesse econômico não invalida participação

 

Accioly ressaltou que a existência de interesse não retira a legitimidade da participação de consultorias, auditorias ou entidades profissionais.

 

O ponto central, segundo sua argumentação, é garantir que essas posições sejam conhecidas e avaliadas no processo decisório.

 

Consultores e quem prestaria os serviços que são tão caros: por que essas pessoas estão defendendo tanto?”, questionou.

 

O diretor relacionou o debate ao potencial aumento dos contratos de auditoria e consultoria.

 

Estamos falando de aumento de despesas de auditoria de 20% a 40%. São cifras relevantes”, afirmou.

 

 

Empresas também possuem interesses diretos

 

Natascha Schmitt ponderou que as companhias que solicitaram flexibilização também possuem interesse econômico no debate.

 

Tem a gente que é emissor do relatório não querendo ter o custo e o prestador de serviço querendo que tenha o custo. Mas o investidor fica onde?”, perguntou.

 

Accioly respondeu que os recursos utilizados pelas companhias pertencem, em última análise, aos acionistas.

 

O dinheiro que está nas companhias é o dinheiro do investidor. O dinheiro usado para contratar certos serviços vai diretamente impactar o resultado disponível para o investidor”, afirmou.

 

Segundo ele, a função da regulação é avaliar se a despesa amplia a qualidade das decisões e produz benefícios superiores ao custo.

 

 

O investidor como destinatário do reporte

 

As informações financeiras relacionadas à sustentabilidade são produzidas prioritariamente para auxiliar investidores.

 

Isso significa que seu valor precisa ser analisado pela capacidade de melhorar a compreensão sobre riscos e oportunidades.

 

O investidor vai comprar e tem que saber o que está comprando”, afirmou Accioly.

 

O reporte pode reduzir assimetrias de informação, antecipar riscos climáticos ou ambientais e melhorar a avaliação da companhia.

 

Por outro lado, quando o custo é elevado e a informação não é utilizada, a exigência pode reduzir recursos disponíveis para investimentos ou distribuição aos acionistas.

 

 

Prevenção ao greenwashing permanece relevante

 

Apesar da flexibilização, os padrões continuam desempenhando papel importante na prevenção de comunicações enganosas.

 

Empresas que optarem pela adoção deverão seguir critérios reconhecidos internacionalmente, reduzindo a possibilidade de selecionar apenas indicadores favoráveis.

 

Você tem o padrão, evita o greenwashing e afasta aquela ideia de fazer reportes que digam qualquer coisa”, afirmou Accioly.

 

A existência do padrão oferece ao mercado uma referência verificável, ainda que sua utilização não seja obrigatória para todas as companhias.

 

 

Transparência sobre interesses fortalece o debate

 

A pluralidade de interesses é característica de qualquer processo regulatório complexo.

 

Empresas procuram competitividade e redução de custos. Investidores buscam informações confiáveis e retorno. Prestadores de serviços defendem padrões técnicos e oportunidades de atuação. Entidades da sociedade civil cobram transparência e responsabilidade socioambiental.

 

O papel do regulador é avaliar essas posições e procurar uma solução compatível com o interesse público, a proteção dos investidores e o desenvolvimento eficiente do mercado.

 

A entrevista do Sustentalks contribuiu para tornar esses interesses mais visíveis e ampliar a compreensão sobre a arquitetura econômica do reporte.

 

 

Sobre esta série

 

Esta é a sétima e última reportagem da série especial do Portal Global ESG sobre o episódio que abriu a terceira temporada do Sustentalks.

 

A série examinou a evolução das normas da CVM, os custos de implementação, a demanda dos investidores, a maturidade do mercado e os diferentes interesses presentes no debate.

 

A discussão permanece aberta e deverá acompanhar a aplicação da Resolução nº 244, a evolução dos padrões internacionais e o comportamento das empresas e investidores nos próximos exercícios.


 

Assista à entrevista na íntegra

 

Sustentalks — Terceira temporada

 

Episódio: “Sustentabilidade e CVM: recuo ou aprimoramento?”

 

Participantes:

 

João Accioly — diretor da Comissão de Valores Mobiliários

 

Anne Marcikevics — advogada e doutora em Direito Econômico e Financeiro pela Universidade de São Paulo

 

Apresentação: Natascha Schmitt

 

Entrevista completa no canal do Sustentalks no YouTube:

 

https://youtu.be/EMjCqmPDBsA?is=yPmM9wnYYvgUgy33


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