Em referência ao natalício de Kofi Annan, celebrado em 8 de abril, o Instituto Global ESG realizou, nesta terça-feira, o evento “Legado Kofi Annan: Governança, Sustentabilidade e Impacto no Brasil”, reunindo representantes do setor público, da academia, da iniciativa privada e da sociedade civil em uma agenda voltada à implementação prática dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) no país.
A programação, dividida em dois painéis ao longo do dia, teve como eixo central a transformação do ESG de um conceito orientador para uma agenda efetivamente operacional, com impactos mensuráveis em políticas públicas, desenvolvimento econômico e sustentabilidade ambiental.
Na abertura institucional, a diretora de Relações Institucionais e Governamentais do Instituto Global ESG, Ana Clara Moura, destacou a relevância da data como um marco simbólico para a reflexão sobre governança global e desenvolvimento sustentável. “O legado de Kofi Annan nos convoca a transformar compromissos em ações concretas, especialmente no contexto brasileiro, onde os desafios de implementação ainda são significativos”, afirmou.
O primeiro painel, mediado por Eduardo Fayet, vice-presidente da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (ABRIG), abordou o tema “Legado de Kofi Annan e os ODS: governança, equidade e desenvolvimento humano no Brasil”. O debate concentrou-se nos desafios estruturais para a implementação da Agenda 2030, com ênfase na necessidade de articulação interinstitucional e na construção de políticas públicas efetivas.
Entre os participantes, o secretário-executivo da Comissão Nacional para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (CNODS), Lavito Bacarissa, ressaltou a complexidade da coordenação federativa e a importância de integrar diferentes níveis de governo. Já o deputado federal Flávio Nogueira destacou o papel do Legislativo na consolidação de instrumentos normativos que deem efetividade à agenda ESG, evitando sua redução a um conjunto de diretrizes meramente conceituais.
A discussão também trouxe a perspectiva da inteligência de dados aplicada ao desenvolvimento sustentável. Bárbara Silva, da Lagos Data Intelligence, enfatizou a importância de métricas consistentes para orientar decisões e avaliar impacto real, contribuindo para maior precisão na formulação e execução de políticas e estratégias ESG.
Como ponto de destaque do período da manhã, foi realizado o lançamento da Consulta Pública para o Marco Regulatório do ESG no Brasil, iniciativa conduzida pelo Instituto Global ESG, em parceria com a ABRIG e a Lagos Data Intelligence. A proposta busca promover a construção coletiva de diretrizes que ampliem a segurança jurídica, a padronização e a efetividade das práticas ESG no país, com participação aberta da sociedade.
No período da tarde, a programação avançou para o painel “Sustentabilidade que gera valor: integração entre governo, mercado e impacto ambiental”, mediado por Suely Martins, CEO da Esplanada Comunicação. A discussão concentrou-se na relação entre sustentabilidade, competitividade e geração de valor econômico.
Na abertura da segunda etapa, o vice-presidente do Instituto Global ESG, Sóstenes Marchezine, destacou a necessidade de escala e mensuração de impacto. “O desafio atual não é mais conceitual, mas operacional: é transformar sustentabilidade em valor concreto, com impacto real e mensurável”, afirmou.
O painel reuniu representantes da academia, do setor público e da iniciativa privada. A professora Giuliana Franco, da Fundação Getulio Vargas (FGV), abordou o papel das instituições de ensino na qualificação do debate e na formação de quadros técnicos capazes de evitar distorções conceituais no ESG. Já Silvana Vidotti, do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT/MCTI), ressaltou a importância da ciência, da informação e da tecnologia na construção de políticas ambientais mais eficientes.
Do lado empresarial, Leonardo Mercante, da Suzano, destacou a necessidade de alinhar competitividade com regeneração ambiental e geração de valor sustentável na prática.
Ao longo dos debates, a mediação provocou reflexões sobre a distribuição de custos e benefícios da agenda sustentável, reforçando a necessidade de modelos que conciliem viabilidade econômica com impacto socioambiental positivo.
O encerramento do evento consolidou os principais insights e reforçou o legado de Kofi Annan como referência para a construção de uma governança global orientada por valores de equidade, cooperação e desenvolvimento sustentável. A organização destacou ainda a importância da continuidade da agenda ESG no Brasil, com foco em articulação multissetorial, produção de conhecimento e implementação de soluções concretas.