Relatório sinaliza mudança estrutural na demanda por carvão até 2026
Apesar do recorde de consumo em 2023, projeção de queda nos próximos anos anima especialistas
Participe do nosso Canal no Whatsapp — Acessar A Agência Internacional de Energia (AIE) lançou seu último relatório anual sobre o mercado de carvão, revelando projeções notáveis para o futuro da indústria. Pela primeira vez, o relatório prevê uma queda na demanda global por carvão até 2026, sinalizando uma mudança estrutural impulsionada pelo avanço sustentado das tecnologias de energia limpa.
Segundo o relatório, a demanda global de carvão atingirá um recorde em 2023, ultrapassando 8,5 bilhões de toneladas, um aumento de 1,4% em relação a 2022. Entretanto, a previsão de queda de 2,3% até 2026 indica uma transformação significativa no panorama do carvão, mesmo sem a implementação de políticas mais rigorosas em energia limpa e clima.
Segundo o presidente da AIE, Keisuke Sadamori, o declínio é mais estrutural, impulsionado pela expansão formidável e sustentada de tecnologias de energia limpa.
O relatório destaca que, apesar do declínio, a demanda global permanecerá consideravelmente acima das 8 bilhões de toneladas até 2026. Para cumprir as metas climáticas do Acordo de Paris, será necessário um declínio mais rápido e esforços substanciais para promover energias limpas.
A China, responsável por mais da metade da demanda global de carvão, desempenha um papel crucial nessa transição. Prevê-se que a demanda chinesa atinja o pico em 2024 e se estabilize até 2026, impulsionada pela expansão massiva da capacidade de energia renovável. O relatório enfatiza que o ritmo dessa transição dependerá das políticas de energia limpa, das condições meteorológicas e das mudanças estruturais na economia chinesa.
“Este é um ponto de virada histórico para o setor de carvão. A transição para energias renováveis está acelerando, e é vital que as principais economias asiáticas liderem esse movimento. Esforços contínuos são cruciais para atingir metas climáticas internacionais", diz o diretor do Instituto Global, Alexandre Arnone.
O relatório também aponta para uma alteração no cenário do comércio mundial de carvão, prevendo uma contração à medida que a demanda diminui nos próximos anos. No entanto, o comércio atingirá um novo recorde em 2023, impulsionado pelo crescimento na Ásia. Importações chinesas e exportações indonésias estão prestes a estabelecer novos recordes, evidenciando as mudanças significativas no panorama global do carvão.
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