O Instituto Global ESG e o Grupo Arnone participaram, em Brasília, do Fórum “Destravando o Potencial da Mineração no Brasil”, promovido pela Editora Globo, com patrocínio da Vale. As instituições foram representadas por sua diretora de Relações Institucionais e Governamentais, Ana Clara Moura.
Realizado no dia 18 de agosto, o encontro reuniu representantes do governo federal, do setor produtivo, de instituições financeiras e de entidades ligadas à mineração para discutir caminhos capazes de ampliar a competitividade brasileira em um contexto de crescimento da demanda mundial por minerais críticos e estratégicos.
Participaram dos debates o presidente da Vale, Gustavo Pimenta; o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante; o diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Pablo Cesário; e o presidente da Accenture para Brasil e América Latina, Rodolfo Eschenbach. O encerramento foi conduzido pelo secretário nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, Anderson Barreto Arruda, representante do Ministério de Minas e Energia.
Para Ana Clara Moura, a participação no fórum permitiu acompanhar uma agenda que ocupa posição cada vez mais relevante na interlocução entre desenvolvimento econômico, sustentabilidade, inovação e políticas públicas.
“O Brasil dispõe de recursos minerais estratégicos para a transição energética e para a economia de baixo carbono, mas transformar esse patrimônio em desenvolvimento exige uma visão integrada. Segurança jurídica, capacidade institucional, licenciamento ambiental responsável, infraestrutura, inovação e diálogo com os territórios precisam avançar conjuntamente”, afirma a diretora de Relações Institucionais e Governamentais do Instituto Global ESG e do Grupo Arnone.
Segundo ela, a expansão do setor deve estar acompanhada de mecanismos efetivos de governança e de repartição de benefícios.
"A mineração responsável não pode ser avaliada apenas pelo volume produzido ou pela arrecadação gerada. É necessário considerar a qualidade dos empregos, a proteção ambiental, o respeito às comunidades, a transparência e a capacidade de deixar resultados permanentes nos territórios. Essa é uma agenda diretamente relacionada aos princípios ESG e à construção de políticas públicas de longo prazo”, acrescenta.
Proposta reúne 15 iniciativas estratégicas
O fórum marcou a apresentação do relatório “Destravando o Potencial da Mineração no Brasil”, elaborado pela Vale com a colaboração da Accenture. O documento reúne 15 iniciativas organizadas em quatro agendas prioritárias: licenciamento e fundamentos da mineração; cadeia mineral integrada; ambiente de negócios e segurança institucional; e valor compartilhado.
Entre as medidas elencadas estão a ampliação do conhecimento geológico do território nacional, a modernização da gestão de títulos minerários, o aprimoramento e a padronização dos processos de licenciamento, o fortalecimento dos órgãos públicos responsáveis pelas análises ambientais e territoriais, a expansão da infraestrutura e o estímulo à transformação mineral no país.
A proposta também aborda condições energéticas para uma cadeia mineral de baixo carbono, modernização regulatória, política nacional de minerais críticos e estratégicos, atualização de regras relacionadas à segurança de estéreis e rejeitos e definição de projetos estruturantes associados a contrapartidas socioambientais.
O diagnóstico parte do entendimento de que a transição energética, a eletrificação, a expansão dos data centers, a inteligência artificial e o crescimento das tecnologias digitais elevarão a procura por cobre, lítio, níquel, grafita, terras raras e minério de ferro de alta qualidade. O Brasil reúne algumas das maiores reservas mundiais desses recursos, mas enfrenta obstáculos para converter essa disponibilidade em cadeias produtivas mais sofisticadas, competitivas e sustentáveis.
De acordo com o levantamento apresentado durante o encontro, somente 28% do território brasileiro possui mapeamento geológico em escala considerada adequada para orientar decisões de pesquisa e investimento mineral. O documento também aponta que o país passou da quarta para a sétima posição no ranking mundial de produção mineral entre 2014 e 2023.
Projeções econômicas e geração de empregos
Em um cenário de implementação coordenada das medidas propostas, o relatório estima que o valor anual da produção mineral brasileira possa passar dos atuais R$ 300 bilhões para até R$ 535 bilhões em 2035.
A arrecadação fiscal associada à cadeia mineral, que teria alcançado aproximadamente R$ 750 bilhões na última década, poderia chegar a R$ 1,3 trilhão entre 2026 e 2035. O impacto total sobre o emprego, considerando postos diretos, indiretos e induzidos, poderia avançar dos atuais 3 milhões para até 5,3 milhões no mesmo período.
As projeções apresentadas no estudo são estimativas baseadas em cenários e dependem de fatores como demanda internacional, volume de investimentos, competitividade, capacidade de execução e implementação das medidas necessárias à expansão da cadeia mineral.
O levantamento calcula ainda que minerais produzidos no Brasil e empregados em veículos elétricos, painéis solares e turbinas eólicas poderiam contribuir globalmente para evitar entre 1,6 bilhão e 2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente por ano até 2050.
Mineração, conhecimento e valor compartilhado
Durante o fórum, o diretor-presidente do Ibram, Pablo Cesário, defendeu que o futuro do setor seja construído a partir da combinação entre mineração e conhecimento. A ampliação da pesquisa geológica, segundo ele, é uma condição necessária para que o potencial existente no território brasileiro possa ser convertido em prosperidade e desenvolvimento socioeconômico.
O presidente da Vale, Gustavo Pimenta, destacou a necessidade de o país recuperar sua capacidade de desenvolver projetos minerais de grande porte. Ele observou que empreendimentos do setor podem levar cerca de 15 anos entre as primeiras etapas de exploração e o início das operações, o que exige previsibilidade, segurança institucional, infraestrutura e condições de financiamento de longo prazo.
As discussões também ressaltaram que a legitimidade da expansão mineral dependerá da capacidade do setor de produzir benefícios concretos para a sociedade. Nesse contexto, ganharam espaço temas como desenvolvimento local, educação técnica, infraestrutura regional, proteção ambiental, qualificação profissional e geração de oportunidades duradouras para as comunidades.
Para o Instituto Global ESG e o Grupo Arnone, o debate sobre o futuro da mineração deve reconhecer simultaneamente o papel estratégico dos minerais para a economia contemporânea e a necessidade de elevar os padrões ambientais, sociais e de governança do setor.
“A oportunidade brasileira é relevante, mas a resposta precisa ser institucionalmente madura. Destravar o potencial da mineração não pode significar reduzir controles ou flexibilizar salvaguardas essenciais. Significa construir processos mais eficientes, tecnicamente qualificados e previsíveis, capazes de conciliar investimento, proteção ambiental, participação social e desenvolvimento dos territórios”, conclui Ana Clara Moura.
Fontes consultadas na apuração: relatório e comunicado da Vale e cobertura institucional do Ibram.