O portal jurídico Migalhas promove o sorteio de um exemplar da obra “Arquitetura Regulatória da Economia Digital, Marco Temporal das Bets e seus Espectros Internacionais”, assinada pelos juristas Alexandre Arnone e Sóstenes Marchezine e publicada pela Editora Verde Viva. Com 276 páginas e 18 artigos técnico-jurídicos, a coletânea propõe uma leitura sistematizada das transformações regulatórias que acompanham a expansão da economia digital, com atenção especial à evolução normativa do mercado brasileiro de apostas de quota fixa e aos impactos dessa trajetória sobre a compreensão e a instrução de questões de natureza penal.
A ação com o Migalhas amplia a circulação de uma publicação concebida para contribuir academicamente com um problema jurídico que ganhou relevância à medida que o mercado de apostas passou por diferentes estágios normativos no Brasil: a necessidade de compreender cada fato, operação, agente econômico e plataforma à luz do regime jurídico vigente no respectivo momento, evitando que realidades regulatórias distintas sejam examinadas de maneira indiferenciada.
Nesse contexto, um dos eixos prioritários da obra está na reconstrução dos marcos temporais das bets e na análise de seus reflexos jurídicos e penais. A publicação percorre a evolução normativa das apostas de quota fixa a partir da Lei nº 13.756/2018, passando pela Lei nº 14.790/2023 e chegando à Lei nº 15.358/2026, relacionando as diferentes etapas desse processo à transformação do ambiente econômico e regulatório no qual atuam operadores, plataformas, prestadores de serviços e demais agentes da cadeia.
Marco temporal, regulação e repercussões penais
A reconstrução cronológica assume relevância especial no campo penal porque a sucessão de normas e etapas de regulamentação modificou as condições jurídicas para atuação no mercado brasileiro.
A obra busca, assim, oferecer elementos acadêmicos para a compreensão das diferentes fases regulatórias e das distinções jurídicas e mercadológicas entre plataformas que operam dentro dos parâmetros legais e regulatórios e aquelas que atuam à margem desse ambiente.
A análise também revisita o Decreto-Lei nº 3.688/1941, relacionado aos chamados “jogos de azar”, discutindo os limites e as dificuldades decorrentes da aplicação de categorias jurídicas concebidas em um contexto predominantemente analógico a atividades posteriormente desenvolvidas por plataformas digitais, sistemas tecnológicos, operações financeiras complexas e estruturas potencialmente transnacionais.
Essa perspectiva temporal constitui elemento importante para a investigação e a instrução penal. Ao examinar fatos relacionados a mercados submetidos a sucessivas transformações legislativas e regulatórias, torna-se necessário identificar não apenas a natureza da operação, mas o período em que ocorreu, o regime jurídico então aplicável, as características da plataforma envolvida e a conduta concretamente atribuída a cada agente.
A coletânea insere essa discussão em uma perspectiva mais ampla sobre os limites do Direito Penal em ambientes econômicos regulados e tecnologicamente complexos. Entre os pontos examinados estão a necessidade de individualização das condutas, a demonstração dos elementos típicos e a observância das garantias constitucionais diante da atuação do poder punitivo estatal.
Da regulação das bets à arquitetura da economia digital
Embora as apostas de quota fixa ocupem posição central na publicação, a proposta da obra é mais abrangente. O próprio conceito de “Arquitetura Regulatória da Economia Digital” parte da percepção de que mercados contemporâneos funcionam por meio de relações cada vez mais interdependentes entre tecnologia, sistemas financeiros, plataformas, comunicação digital, ativos virtuais e operações que frequentemente ultrapassam fronteiras nacionais.
Os 18 artigos percorrem, por isso, temas relacionados a fluxos financeiros e operações internacionais, criptoativos, blockchain, regulação cambial, sistemas de pagamento, prova digital, publicidade e marketing em plataformas digitais e responsabilidade de intermediários e provedores de tecnologia.
O conjunto procura demonstrar que compreender juridicamente uma operação digital pode exigir a análise simultânea de diferentes camadas normativas. Uma mesma cadeia econômica pode envolver a plataforma que oferece determinado serviço, os meios utilizados para movimentação financeira, empresas de tecnologia, publicidade digital, influenciadores, prestadores de serviços e agentes localizados em diferentes jurisdições.
Essa complexidade também repercute sobre a produção e interpretação da prova. A presença de operações digitais e transnacionais exige atenção à identificação dos agentes, à natureza dos fluxos financeiros, aos registros eletrônicos e ao contexto regulatório no qual determinada conduta foi praticada.
Plataformas legais e ilegais: uma distinção necessária
Um dos pontos relevantes da contribuição acadêmica proposta pelos autores está justamente na necessidade de diferenciar juridicamente os diversos agentes que atuam no ecossistema digital.
No mercado de apostas, a consolidação de um ambiente regulado torna particularmente importante a distinção entre operadores submetidos às exigências legais e regulatórias e plataformas que desenvolvem atividades fora dos parâmetros estabelecidos pelo ordenamento.
A diferenciação possui consequências que ultrapassam o campo administrativo e regulatório. Pode produzir reflexos sobre a análise de operações financeiras, relações contratuais, publicidade, atuação de intermediários e, especialmente, sobre investigações e processos nos quais seja necessário determinar a natureza jurídica das condutas praticadas.
É nesse ponto que o marco temporal assume função metodológica relevante: fatos ocorridos em períodos regulatórios distintos não podem ser automaticamente compreendidos a partir de uma fotografia normativa posterior.
A proposta da publicação é contribuir para uma leitura tecnicamente contextualizada dessas transformações, observando a legislação vigente em cada período e preservando, no campo penal, princípios como legalidade, individualização das condutas e necessidade de demonstração dos elementos constitutivos de eventual ilícito.
Criptoativos, blockchain e fluxos internacionais
A arquitetura regulatória analisada pelos autores alcança ainda fenômenos que se tornaram estruturais para a economia digital.
Criptoativos e blockchain são examinados em conexão com fluxos financeiros, operações internacionais, sistemas de pagamento e regulação cambial. A abordagem considera um ambiente no qual novas tecnologias permitem modelos econômicos e formas de circulação de valor que desafiam categorias jurídicas desenvolvidas antes da consolidação desses instrumentos.
O debate se conecta diretamente ao caráter transnacional de parte significativa da economia digital. Plataformas podem possuir estruturas societárias em uma jurisdição, infraestrutura tecnológica em outra, usuários distribuídos por diferentes países e sistemas de pagamento capazes de movimentar recursos por múltiplos canais.
A compreensão jurídica dessas operações exige, portanto, uma leitura que ultrapasse classificações isoladas e considere a arquitetura econômica, tecnológica e normativa que sustenta cada atividade.
Influenciadores e a economia da influência
Nos capítulos finais, a coletânea incorpora outra transformação decorrente da digitalização das relações econômicas: a consolidação da economia da influência e das novas formas de trabalho digital.
Os autores abordam a atuação de influenciadores, a Classificação Brasileira de Ocupações e a Lei nº 15.325/2026, relacionando esses elementos às mudanças no mercado de trabalho e às novas formas de geração de valor.
O tema também dialoga com a regulação das plataformas e das apostas. Publicidade, marketing de influência e intermediação digital passaram a integrar cadeias econômicas nas quais a delimitação das responsabilidades dos diferentes participantes se tornou uma das questões relevantes para reguladores, empresas, profissionais do Direito e sistema de Justiça.
Uma série dedicada ao sistema de Justiça e às garantias constitucionais
“Arquitetura Regulatória da Economia Digital, Marco Temporal das Bets e seus Espectros Internacionais” integra a “Série Especial Temática de Artigos Técnico-Jurídicos, sob a Perspectiva Limiar de Operações no Sistema de Justiça, do Poder Punitivo Estatal e Federal e da Defesa Intransigente das Garantias Constitucionais no Brasil”.
A inserção da coletânea na série ajuda a compreender o enfoque conferido pelos autores à matéria. Mais do que mapear normas aplicáveis à economia digital, a publicação procura examinar como essas transformações repercutem na atuação do Estado, no sistema de Justiça e na interpretação das garantias constitucionais diante de mercados submetidos a mudanças legislativas e tecnológicas aceleradas.
A apresentação da obra é assinada por Ivan Ricardo Garisio Sartori, desembargador aposentado e ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo.
O prefácio é de Giovanni Rocco Neto, secretário nacional de Apostas Esportivas e de Desenvolvimento Econômico do Esporte, do Ministério do Esporte.
O posfácio é assinado por José Mauro de Barros, agente de Classe Especial da Polícia Federal e presidente da ANSEF — Associação Nacional dos Servidores da Polícia Federal.
A participação de profissionais com experiências distintas no sistema de Justiça e na Administração Pública amplia a interlocução da obra com as dimensões regulatória, institucional e operacional dos temas analisados.
Sobre os autores
Alexandre Arnone é advogado, empresário e gestor institucional, com mais de 25 anos de atuação nas áreas de Direito Tributário, Empresarial e Sustentabilidade. É CEO da Arnone Soluções e fundador da Arnone Advogados, com experiência em planejamento tributário, estruturação empresarial e operações complexas. À frente do Instituto Global ESG, lidera iniciativas relacionadas à integração entre sustentabilidade, integridade institucional e desenvolvimento econômico.
Sóstenes Marchezine é advogado com atuação em articulações jurídicas e institucionais nos três Poderes da República, inteligência regulatória e ambientes de elevada complexidade normativa. É cofundador do Movimento ESG na Prática e possui especialização em Direito Penal Econômico pela Universidade de Coimbra e MBA em Criptoativos e Blockchain.
Migalhas promove sorteio da publicação
Para ampliar o acesso ao conteúdo e estimular o debate jurídico sobre a nova arquitetura regulatória da economia digital, os autores disponibilizaram um exemplar da obra para sorteio entre os leitores do Migalhas.
A iniciativa aproxima a produção acadêmica e técnico-jurídica de profissionais que lidam diretamente com os desafios trazidos pela regulação das apostas, pelas novas tecnologias e pela crescente complexidade das investigações e controvérsias relacionadas à economia digital.
Mais do que acompanhar a edição de novas normas, a publicação propõe compreender a sucessão de regimes jurídicos, seus respectivos marcos temporais e as consequências dessa transformação para a interpretação de fatos concretos — especialmente quando a discussão alcança o Direito Penal e exige distinguir agentes, plataformas, períodos regulatórios e condutas.
Link Migalhas:
https://www.migalhas.com.br/quentes/463536/sorteio-da-obra-arquitetura-regulatoria-da-economia-digital-e-bets
Participe do sorteio:
https://www.migalhas.com.br/quentes/463536/sorteio-da-obra-arquitetura-regulatoria-da-economia-digital-e-bets
Participar