Carta das Mulheres para a Política é entregue a Ronaldo Caiado em agenda com presidenciáveis

Documento construído por mais de 400 lideranças e cerca de 80 organizações reúne 22 propostas para ampliar a presença feminina nos espaços de poder, fortalecer candidaturas de mulheres e enfrentar a violência política de gênero nas eleições de 2026

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O movimento Mulheres que Pensam o Brasil entregou, na terça-feira (18), a Carta das Mulheres para a Política — Agenda Nacional para as Eleições de 2026 ao candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD). A apresentação ocorreu em Brasília, durante o encontro “O Brasil em Debate com os Presidenciáveis”, que reuniu representantes do setor produtivo, parlamentares e lideranças institucionais.

A entrega integra uma agenda plural e suprapartidária de diálogo com os candidatos ao Palácio do Planalto. A iniciativa não representa apoio ou adesão a qualquer candidatura, mas busca levar aos postulantes à Presidência propostas construídas coletivamente por mulheres de diferentes regiões, trajetórias profissionais, instituições e perspectivas políticas.

Produzida a partir das contribuições de mais de 400 lideranças e aproximadamente 80 organizações da sociedade civil, a Carta reúne 22 diretrizes prioritárias relacionadas à participação política, à igualdade de oportunidades, à proteção de direitos e à ampliação da presença feminina nos espaços de decisão. Os dados e a abrangência do documento foram destacados em reportagens publicadas pelo Correio Braziliense⁠ e pelo GPS Brasília⁠.

Entre os compromissos defendidos estão a reserva mínima de 30% das cadeiras dos parlamentos para mulheres; a participação mínima de 30% de mulheres nos diretórios partidários, com avanço progressivo em direção à paridade; o fortalecimento do financiamento das candidaturas femininas desde a pré-campanha; e a adoção de mecanismos permanentes de enfrentamento à violência política de gênero.

A Carta também propõe o fim de novas anistias relacionadas ao descumprimento das ações afirmativas destinadas às mulheres e a aplicação de recursos provenientes de multas eleitorais em programas de formação política, diversidade, inclusão e desenvolvimento de novas lideranças.

O conjunto de propostas contempla ainda a paridade na composição dos ministérios, a ampliação da presença feminina nos tribunais superiores, o fortalecimento da Política Nacional de Cuidados, a expansão de creches e escolas em tempo integral e a criação de instrumentos de proteção contra ataques digitais, desinformação, manipulação de imagens e outras formas de violência direcionadas a mulheres que participam da vida pública.

 

Diálogo com diferentes candidaturas

A entrega a Ronaldo Caiado dá continuidade à apresentação do documento aos presidenciáveis de diferentes campos políticos. O primeiro a receber oficialmente a Carta foi o médico, escritor e candidato à Presidência Augusto Cury, em julho. O propósito é registrar publicamente as posições e os compromissos assumidos por cada candidatura em relação à participação das mulheres e às políticas públicas voltadas à igualdade de gênero.

Idealizadora da iniciativa, a advogada e cientista política Gabriela Rollemberg ressaltou, no início da agenda de entregas, o caráter coletivo do documento. “A Carta é uma construção coletiva da sociedade civil”, afirmou. Segundo ela, o trabalho busca verificar quais candidaturas estão efetivamente dispostas a incorporar as demandas das mulheres aos respectivos planos de governo.

A apresentação ocorreu após a participação de Caiado na série “O Brasil em Debate com os Presidenciáveis”. O encontro foi realizado pelo Instituto Unidos Brasil, em parceria com o Ranking dos Políticos e a Frente Parlamentar do Ambiente de Negócios, com participação do Sistema CNC-Sesc-Senac. Durante a programação, o candidato abordou temas como equilíbrio fiscal, ambiente de negócios, abertura de mercados, segurança pública, inovação e processamento de minerais estratégicos, conforme registro dos organizadores do debate⁠.

Ao inserir as reivindicações das mulheres nesse espaço de interlocução com candidatos à Presidência, o movimento busca ampliar o alcance da pauta e assegurar que representatividade, proteção jurídica, autonomia política e igualdade de participação sejam tratadas como questões estruturantes para o desenvolvimento do país.

 

Construção suprapartidária e de longo prazo

O Mulheres que Pensam o Brasil foi concebido como uma articulação suprapartidária, interinstitucional e intergeracional. A mobilização é conduzida pela Quero Você Eleita, em cooperação com o Instituto Global ESG, Elas Pedem Vista, Elas no Poder e outras redes e organizações comprometidas com o fortalecimento da participação feminina.

O processo de elaboração da Carta foi precedido por encontros realizados no Senado Federal, na Câmara dos Deputados e em outros espaços institucionais. As atividades reuniram representantes da política, do sistema de Justiça, do setor empresarial, da academia e da sociedade civil para discutir democracia paritária, violência política de gênero, desinformação, proteção digital, formação de lideranças, justiça climática, governança e redes de apoio às mulheres.

Com horizonte de dez anos, o movimento tem entre seus objetivos transformar a sub-representação feminina em uma agenda permanente de planejamento, formação e incidência política, com a meta de contribuir para a ampliação expressiva da bancada de mulheres no Congresso Nacional.

A Carta parte do diagnóstico de que as mulheres constituem a maioria do eleitorado brasileiro, mas permanecem sub-representadas nos parlamentos, nas estruturas partidárias e em postos de comando do Estado. Por isso, o documento procura deslocar o debate de manifestações genéricas de apoio para compromissos verificáveis, acompanhados de instrumentos jurídicos, recursos, autonomia decisória e metas de participação.

A entrega aos presidenciáveis representa, assim, uma etapa de incidência pública. Além de apresentar as propostas, o movimento pretende acompanhar a incorporação das diretrizes aos programas de governo e manter o diálogo com partidos, candidaturas e instituições durante o processo eleitoral.

Ao promover interlocução com diferentes campos políticos, a iniciativa reafirma sua premissa central: a pauta das mulheres ultrapassa divisões partidárias e deve ocupar posição permanente na agenda nacional de democracia, desenvolvimento, governança e participação social.


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