A Revista Esplanada Mulher lançou sua primeira edição em cerimônia realizada no dia 11 de agosto, no Auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, em Brasília. Concebida como uma publicação periódica, física e digital, a revista nasce com a proposta de ampliar a visibilidade das mulheres nos espaços de poder, no mercado, na sociedade civil e na formulação de políticas públicas.
Produzida pela Esplanada Comunicação, Produção e Consultoria, a edição inaugural tem 100 páginas e reúne entrevistas, perfis, reportagens e artigos que percorrem áreas como política, governança, justiça, empreendedorismo, desenvolvimento sustentável, educação, comportamento, diversidade e redes de apoio. A publicação busca documentar trajetórias femininas e conectá-las a discussões institucionais e econômicas contemporâneas.
O lançamento oficial foi estruturado como um encontro de debate e articulação. A programação contemplou painéis sobre empreendedorismo feminino, associativismo, terceiro setor, impacto social, liderança e futuro das instituições, além da apresentação da revista e da entrega dos primeiros exemplares. O evento foi realizado no Congresso Nacional e reuniu representantes de diferentes setores da sociedade.
A escolha da Câmara dos Deputados para sediar o lançamento dialoga diretamente com a linha editorial apresentada pela publicação. Ao aproximar mulheres que atuam no Executivo, no Legislativo, no Judiciário, no setor produtivo e na sociedade civil, a revista pretende ocupar um espaço de conexão entre diferentes dimensões da vida pública brasileira.
Protagonismo como registro histórico
A edição de estreia apresenta como eixo central a valorização do protagonismo feminino a partir de realizações concretas, experiências profissionais e contribuições para o desenvolvimento do país. Em seu editorial, a revista propõe que a trajetória das mulheres também seja narrada sob a perspectiva das vitórias conquistadas, sem ignorar as desigualdades e barreiras ainda existentes.
“Como vamos contar a nossa história, mulheres?” é a pergunta que abre o editorial assinado por Suely Martins da Silva, fundadora da Revista Esplanada Mulher e responsável pela direção executiva, editorial, de conteúdo e de redação da publicação.
No texto, Suely afirma que a revista nasce como um espaço de reflexão sobre as transformações que precisam ser consolidadas e sobre o legado a ser deixado às próximas gerações. A proposta, segundo ela, é dar visibilidade ao trabalho desenvolvido pelas mulheres e construir um canal permanente para o reconhecimento de suas contribuições.
“A Revista Esplanada Mulher surge para ocupar um espaço essencial de diálogo, valorizando trajetórias de impacto e promovendo debates construtivos sobre a participação feminina em todas as esferas de poder e da economia”, afirma Suely Martins.
A publicação também defende que a promoção da equidade não pode ser tratada como responsabilidade exclusiva das mulheres. A primeira edição incorpora a participação masculina por meio da seção “Eles Apoiam”, dedicada a homens que contribuem para a valorização da liderança feminina e para a transformação de práticas culturais e institucionais.
A diretriz parte do entendimento de que mudanças estruturais dependem do envolvimento de toda a sociedade. Nesse sentido, a revista aborda a equidade como igualdade de oportunidades, respeito, reconhecimento e acesso efetivo aos espaços de decisão.
Uma capa construída a partir da pluralidade
A matéria de capa, intitulada “A Força do Plural: os bastidores da capa”, explica as escolhas editoriais e visuais que orientaram a composição da primeira edição. Em vez de concentrar a representação da revista em uma única personalidade, a publicação reuniu mulheres de diferentes idades, origens, raças, credos e campos profissionais.
A composição busca representar a presença feminina na gestão pública, na política, no sistema de justiça, no empreendedorismo e na sociedade civil. O ensaio adotou figurinos em preto e branco como recurso de neutralidade visual e institucional, além de uma estética voltada à autoridade, à elegância e à diversidade.
Segundo a revista, a decisão de construir uma capa coletiva traduz o compromisso de evidenciar a pluralidade das experiências femininas. A imagem também procura funcionar como referência para novas gerações, permitindo que meninas e jovens reconheçam como possíveis os espaços de liderança, influência e decisão.
A edição declara adotar uma orientação suprapartidária e uma curadoria aberta a diferentes correntes de pensamento. Esse posicionamento é especialmente relevante em um ano eleitoral, quando temas como participação política, distribuição de recursos partidários, candidaturas femininas e presença das mulheres nos cargos eletivos ganham maior centralidade no debate público.
Conteúdo atravessa política, gestão e sociedade
O conteúdo da primeira edição combina trajetórias individuais e discussões de alcance coletivo. Entre os destaques está uma entrevista com Aline Amorim e um relato de Tamara Viziolli sobre a experiência de uma mulher negra na política, no mercado de trabalho e na construção de espaços de representação.
A seção dedicada ao legado apresenta um perfil de Anna Christina Kubitschek, presidente do Memorial JK, destacando sua relação com a história de Brasília e a continuidade da atuação pública da família Kubitschek.
Outra reportagem recupera a trajetória de Bernardeth Martins, que trabalhou por 32 anos na Organização Internacional do Trabalho. O conteúdo aborda a mobilização de um grupo de profissionais contra práticas de assédio e discute o papel da organização coletiva, dos mecanismos institucionais de denúncia e da proteção da dignidade das mulheres no ambiente profissional.
Na área de governança pública, a revista analisa a ABNT NBR 17265:2026 e os seus possíveis impactos sobre liderança, estratégia, controle, integridade e prestação de contas na administração pública. O tema é acompanhado por um perfil de Cristiane Nardes, presidente da Rede Governança Brasil, com ênfase em sua atuação na disseminação de práticas de governança e no fortalecimento institucional de órgãos e municípios.
Justiça e controle externo também aparecem na edição. Um dos textos discute a incorporação da equidade como dimensão de avaliação das políticas públicas, aproximando a agenda de gênero dos mecanismos de fiscalização, governança e efetividade da atuação estatal.
Mulheres na política e na construção de políticas públicas
A participação feminina na política ocupa espaço relevante na publicação. Um dos artigos examina o fenômeno das candidaturas fictícias utilizadas para o cumprimento formal das cotas de gênero e discute as consequências eleitorais e jurídicas dessas práticas.
A revista também registra o encontro “Mulheres que pensam o Brasil, mães que constroem o futuro”, realizado no Instituto Global ESG. A iniciativa reuniu lideranças de diferentes áreas para discutir participação política, governança, desenvolvimento econômico, sustentabilidade, redes de apoio e ampliação da presença das mulheres nos espaços de decisão.
Em artigo conjunto, Ana Clara Moura e Paola Comin tratam da atuação feminina na construção das políticas públicas e de sua relação com liderança, desenvolvimento sustentável e transformação social. O texto reforça a necessidade de converter representatividade em capacidade efetiva de influenciar decisões, formular programas, acompanhar resultados e participar das estruturas institucionais.
O conjunto dessas pautas procura deslocar o debate sobre a presença feminina de uma perspectiva exclusivamente quantitativa para uma abordagem também qualitativa: não apenas quantas mulheres ocupam cargos, mas quais condições possuem para exercer liderança, participar das decisões e transformar as instituições.
Empreendedorismo, redes de apoio e dimensão humana
A primeira edição amplia o escopo para além do universo político e institucional. Reportagens sobre empreendedorismo, arquitetura, educação, fotografia, estética e comportamento mostram como a autonomia econômica, as redes profissionais e o reconhecimento social também integram a agenda da equidade.
Entre os conteúdos estão matérias sobre empreendedorismo atípico, resiliência, liderança, construção de redes e apoio às famílias. A revista dedica atenção às experiências de mulheres que conciliam trabalho, maternidade, cuidado, formação profissional e participação comunitária.
A publicação também examina a rivalidade feminina e os desafios para transformar a sororidade em prática concreta. O tema aparece associado à formação de redes de cooperação capazes de compartilhar oportunidades, ampliar a circulação de conhecimento e fortalecer a presença das mulheres em ambientes ainda predominantemente masculinos.
Ao articular política, economia, gestão, comportamento e vida cotidiana, a edição apresenta a equidade como tema transversal. A perspectiva adotada é a de que a participação feminina não constitui uma pauta isolada, mas um componente da qualidade democrática, da eficiência institucional e do desenvolvimento social e econômico.
Plataforma física e digital
Com circulação física e acesso digital, a Revista Esplanada Mulher procura combinar a permanência do registro editorial impresso com a capacidade de alcance das plataformas digitais. A estratégia permite que entrevistas, análises e trajetórias reunidas na edição inaugural sejam acessadas por leitores de diferentes regiões.
A proposta de periodicidade indica que a publicação pretende acompanhar os desdobramentos da agenda feminina e ampliar, nas próximas edições, o espaço destinado a novas lideranças, experiências e perspectivas.
Ao lançar sua primeira edição na Câmara dos Deputados, a Revista Esplanada Mulher estabelece como ponto de partida um dos centros da vida política nacional. A partir dele, busca construir uma plataforma editorial voltada à memória, à participação e à projeção das mulheres que atuam na transformação do Estado, do mercado e da sociedade.
A primeira edição da Revista Esplanada Mulher também pode ser acessada gratuitamente em formato digital.