FGV e Instituto Global ESG aprofundam cooperação acadêmica com aula da Embrapa sobre implementação prática do ESG

Gestora de Sustentabilidade e ESG da Embrapa, Marisa Prado, apresenta fundamentos conceituais e operacionais do programa “Embrapa ESG na Prática”, com foco em governança, inovação e transformação institucional

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Brasília — A cooperação entre a Fundação Getulio Vargas (FGV) e o Instituto Global ESG avançou em sua agenda de formação aplicada com a realização de aula na Escola de Políticas Públicas, Governo e Empresas (FGV EPPG), que trouxe ao centro do debate a operacionalização do ESG em instituições públicas e de pesquisa.

A atividade contou com a participação da gestora de Sustentabilidade e ESG da Embrapa, Dra. Marisa Prado, que apresentou aos alunos o case do programa “Embrapa ESG na Prática”, estruturado em cooperação com o Instituto Global ESG. A exposição combinou fundamentos conceituais, arquitetura organizacional e experiências práticas, oferecendo uma leitura integrada sobre como incorporar sustentabilidade à estratégia institucional.

Logo na abertura, Marisa Prado situou o papel do ESG para além de uma agenda reputacional, destacando seu caráter estruturante. “Transformação é um processo — e isso leva tempo. A sustentabilidade, muitas vezes tratada como tendência, é, na verdade, um vetor de prosperidade”, afirmou, ao enfatizar que a implementação exige consistência institucional e desenvolvimento de competências ao longo do tempo.

Ao tratar da base organizacional necessária para a adoção do ESG, a especialista destacou a importância da clareza institucional e da governança. “Quando você observa uma organização, é fundamental entender sua missão, visão, valores, sua estrutura organizacional, o organograma, como ela opera. É a partir dessa leitura que se constrói qualquer estratégia consistente”, explicou.

A aula também abordou os desafios de internalização da agenda ESG dentro das instituições, especialmente diante de horizontes de médio e longo prazo. “Para sustentar uma agenda como essa dentro de uma organização, é preciso ter argumentos sólidos. No curto prazo, é fácil demonstrar resultados. O desafio é sustentar decisões estruturantes que exigem tempo para maturação”, pontuou.

Um dos pontos centrais da exposição foi a apresentação da modelagem institucional da Embrapa, baseada em uma metáfora orgânica. “Desenvolvemos uma modelagem inspirada na árvore. É um organismo vivo, que se sustenta em raízes sólidas, com um tronco que garante sustentação e ramificações que representam nossas entregas. Essa lógica nos ajuda a compreender a organização de forma integrada”, afirmou.

Nesse contexto, Marisa Prado detalhou a estrutura de governança da empresa. “A Embrapa hoje opera com uma presidência e quatro diretorias: administração, governança, pesquisa e inovação — e negócios. Quando afirmamos que a sustentabilidade é a semente de cada inovação, estamos dizendo que ela está na origem da nossa produção científica e tecnológica”, disse. “A partir da pesquisa, geramos outputs concretos, como artigos tecnológicos e soluções aplicadas.”

A especialista também contextualizou a trajetória institucional da Embrapa e o amadurecimento da agenda ESG. “Somos uma instituição com mais de 50 anos de atuação no desenvolvimento de soluções para o agronegócio brasileiro. Mas entendemos que não basta contribuir para a sustentabilidade — é necessário praticá-la no cotidiano organizacional”, afirmou. “O programa ‘Embrapa ESG na Prática’ nasce justamente com esse propósito: integrar os princípios ESG às estratégias de gestão, pesquisa e desenvolvimento.”

Ao longo da aula, também foi ressaltada a necessidade de conexão entre diferentes áreas do conhecimento e experiências profissionais. “Minha formação em geografia contribui diretamente para a forma como estruturamos sistemas complexos. Hoje, liderando a agenda ESG na Embrapa, aplico essa visão sistêmica à construção de soluções integradas”, destacou.

A atividade integra a disciplina conduzida pela professora Giuliana Silva de Paula Franco, no âmbito dos cursos de graduação da FGV EPPG, estruturada para combinar abordagem teórica com a participação de especialistas convidados do setor público, da academia e do mercado.

A iniciativa também dialoga com o ambiente acadêmico promovido pela escola, que realizou recentemente sua Aula Magna 2026, organizada pelo professor Wilson Nobre, reforçando a proposta de aproximar os estudantes de debates contemporâneos sobre governança, sustentabilidade e políticas públicas.

A aula integra uma agenda acadêmica estruturada no âmbito da cooperação entre a FGV e o Instituto Global ESG, que tem reunido especialistas de diferentes setores para discutir a aplicação prática da agenda ESG. Já participaram encontros anteriores nomes como Brandon Nogueira, diretor de Sustentabilidade do Instituto Global ESG, com enfoque em regulação e frameworks internacionais, e Eduardo Azambuja, idealizador do Case Na Praia, que apresentou experiências de sustentabilidade em projetos de grande escala na economia criativa.

A programação prevê novos encontros, entre eles a participação da Dra. Gláucia Uliana, no dia 4 de maio, com abordagem voltada às contratações públicas sustentáveis, ampliando o escopo das discussões para a interface entre ESG e políticas governamentais.

Representando o Instituto Global ESG, participou da atividade a diretora de relações institucionais e governamentais, Ana Clara Moura, que destacou o papel da cooperação entre academia e instituições na qualificação do debate público. “A aproximação entre formação acadêmica e experiências concretas é essencial para desenvolver profissionais capazes de atuar em ambientes complexos, com visão estratégica e responsabilidade institucional”, afirmou.

Inserida no contexto do Programa ESG20+, a iniciativa reforça a estratégia de formação e capacitação voltada à implementação prática da agenda ESG no Brasil, articulando ensino, pesquisa e aplicação institucional.

Ao consolidar essa agenda, a cooperação entre FGV e Instituto Global ESG se afirma como um espaço qualificado de difusão de conhecimento aplicado, contribuindo para a formação de lideranças e para o fortalecimento de práticas sustentáveis no setor público e privado.


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