Brasil avança em articulação internacional com Taiwan e amplia agenda em cidades inteligentes, IA e transição sustentável

Relatório do Instituto Global ESG aponta oportunidades concretas em investimentos, cooperação tecnológica, capacitação e inserção do país nas cadeias globais de inovação

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A missão internacional realizada em Taiwan, no âmbito da Smart City Summit & Expo e da Net Zero City Expo, consolidou uma agenda estratégica para o Brasil em áreas como inteligência artificial, cidades inteligentes, semicondutores, infraestrutura digital e transição para economias de baixo carbono. A análise consta de relatório produzido por Paola Comin, diretora de Relações Internacionais do Instituto Global ESG, que sistematiza os principais avanços institucionais, oportunidades e desafios identificados ao longo da programação.

Realizados pela Taipei Computer Association, os eventos reuniram delegações de mais de 70 países e mais de 170 mil participantes, consolidando Taiwan como um dos principais polos globais de inovação urbana e tecnológica. Nesse ambiente, governos, empresas, centros de pesquisa e lideranças políticas debateram soluções voltadas ao desenvolvimento sustentável e à transformação digital das cidades.

A participação brasileira, segundo o relatório, teve caráter estruturante. Mais do que presença institucional, a missão buscou posicionar o país como destino estratégico para investimentos tecnológicos, ampliar conexões com atores globais e estruturar caminhos concretos de cooperação internacional alinhados à agenda ESG.

“O Brasil reúne atributos muito relevantes no cenário global — especialmente em energia limpa, disponibilidade hídrica e escala de mercado. O que a missão evidenciou é que há interesse real de grandes players internacionais, mas também uma demanda clara por coordenação institucional, segurança jurídica e ambiente regulatório mais previsível”, afirma Paola Comin.

A programação dos eventos reforçou tendências que hoje orientam políticas públicas e decisões empresariais em escala global. Entre os principais temas debatidos estiveram cidades com emissão líquida zero, inteligência artificial aplicada à gestão urbana, resiliência climática, governança digital e integração entre academia, setor produtivo e poder público.

No eixo tecnológico, o relatório destaca o avanço da inteligência artificial como infraestrutura essencial para cidades inteligentes. Durante o AI CITY International Forum, lideranças globais da indústria e representantes de governos discutiram aplicações diretas da IA em mobilidade, energia, segurança e serviços públicos. Nesse contexto, um dos movimentos mais relevantes foi a manifestação de interesse, por parte da ASUS, no desenvolvimento de uma cidade baseada em inteligência artificial no Brasil — sinalização que reforça o potencial do país como hub de inovação.

“A inteligência artificial deixa de ser uma ferramenta isolada e passa a operar como infraestrutura. Isso muda a forma como cidades são planejadas, como serviços são prestados e como investimentos são estruturados. O Brasil tem condições de participar desse movimento, desde que consiga organizar seu ambiente institucional”, afirma Paola Comin.

Outro eixo central identificado na missão foi o da cooperação internacional em capacitação e formação de capital humano. A interlocução com a International Cooperation and Development Fund (ICDF), do governo de Taiwan, abriu oportunidades para participação brasileira em programas de bolsas integrais e treinamentos técnicos em áreas estratégicas, como tecnologia, sustentabilidade e administração pública.

Segundo o relatório, trata-se de uma frente com impacto estruturante, ao conectar a agenda de inovação à qualificação de profissionais e gestores públicos brasileiros, ampliando a capacidade do país de absorver tecnologias e implementar políticas alinhadas à nova economia global.

No campo industrial, a visita técnica à Foxconn trouxe indicativos concretos de possíveis investimentos no Brasil. A empresa demonstrou interesse na abertura de uma nova planta industrial e na criação de um centro de inteligência artificial no país, alinhando-se à tendência global de descentralização produtiva e expansão de hubs tecnológicos fora da Ásia.

O relatório aponta que fatores como abundância de recursos hídricos e matriz energética limpa colocam o Brasil em posição competitiva para esse tipo de investimento. Ao mesmo tempo, destaca desafios relevantes, sobretudo no campo regulatório e tributário, incluindo questões relacionadas à DUIMP, à reforma tributária e à tributação de insumos importados — aspectos considerados determinantes para a tomada de decisão de empresas globais.

“Existe uma janela de oportunidade concreta para o Brasil, mas ela não é automática. A atração de investimentos depende de previsibilidade regulatória, estrutura técnica e coordenação entre entes públicos e privados. A missão também serviu para evidenciar esses pontos com muita clareza”, diz Paola Comin.

A agenda diplomática também ganhou densidade com a visita ao Escritório Econômico e Cultural do Brasil em Taipei. Na ocasião, foram discutidas estratégias de apoio institucional a empresas interessadas em investir no país, incluindo o interesse da TSMC — maior fabricante de semicondutores do mundo — em avaliar operações no Brasil, especialmente em função da disponibilidade de energia limpa e água, insumos críticos para esse tipo de indústria.

Entre os resultados institucionais mais relevantes está o Memorando de Entendimento firmado com a Taipei Computer Association, que abre caminho para a promoção conjunta de eventos internacionais, organização de delegações empresariais, realização de rodadas de negócios e maior inserção do Brasil em feiras globais como a Computex Taipei.

No plano estrutural, o relatório destaca o avanço do Programa Ásia Ilimitada, iniciativa desenvolvida pela FAPEC em parceria exclusiva com o Instituto Global ESG e com apoio do IBICT. O programa foi concebido como uma plataforma permanente de cooperação entre o Brasil e países asiáticos, integrando pesquisa, capacitação, intercâmbio e desenvolvimento de projetos. Como desdobramento direto da missão, foi definida a instalação do primeiro escritório internacional do programa em Taiwan.

A proposta inclui a criação de um modelo de adesão para municípios brasileiros, permitindo acesso estruturado a informações estratégicas, oportunidades de investimento, soluções tecnológicas e articulações internacionais. A iniciativa busca, assim, transformar a cooperação internacional em ferramenta prática de política pública e desenvolvimento local.

“O grande diferencial dessa agenda é a capacidade de transformar relações institucionais em projetos concretos. A missão não se encerra em si mesma; ela estrutura um ciclo contínuo de cooperação, com impacto direto na modernização das cidades, na atração de investimentos e na inserção internacional do Brasil”, afirma Paola Comin.

O relatório também registra iniciativas voltadas ao fortalecimento fiscal e ao desenvolvimento econômico dos municípios, como a otimização de repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e a apresentação do Programa Renda Garantida, que integra energia solar, mercado de carbono e inclusão produtiva no meio rural.

Na avaliação final, o documento aponta que o Brasil já figura no radar de grandes empresas globais de tecnologia e que há uma oportunidade concreta de posicionamento estratégico do país como hub de inovação. Para isso, será necessário avançar na construção de ambiente regulatório mais estável, ampliar a coordenação institucional e transformar as oportunidades identificadas em projetos executáveis.

A missão em Taiwan, nesse contexto, é apresentada não como um ponto de chegada, mas como etapa inicial de um movimento mais amplo de inserção do Brasil nas cadeias globais de inovação, tecnologia e sustentabilidade.


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