O ciclo pós-COP30 segue acelerando articulações institucionais. Após uma agenda intensa em Belém (PA), durante o maior evento climático do planeta, o Instituto Global ESG, o Movimento Interinstitucional ESG na Prática e o Ecossistema de Impacto Arnone retomaram em Brasília uma série de agendas estratégicas para consolidar avanços no campo da inovação climática, da governança e do desenvolvimento sustentável.
A sede das instituições, no Lago Sul, recebeu Ana Himmelstein Capelhuchnik e Zé Gustavo Barbosa, integrantes da diretoria executiva do Fórum Brasileiro das Climatechs — associação representativa de startups climáticas que articula governos, investidores e empresas para fortalecer soluções tecnológicas voltadas à mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
Ana Capelhuchnik é advogada e cientista política, com mestrado em avaliação de políticas públicas e impacto ambiental, além de pós-graduação em gestão empresarial. Com mais de uma década de atuação no setor de tecnologia, lidera estratégias em relações institucionais, regulação, comunicação, políticas climáticas, fusões e aquisições e construção de ambientes de negócios em setores regulatórios complexos.
Zé Gustavo Fávaro Barbosa Silva é administrador público, com trajetória em política, inovação e políticas públicas. Fundador e ex-presidente nacional da Rede Sustentabilidade, acumulou experiências executivas em startups, liderando agendas de relações governamentais, advocacy e comunicação estratégica, com forte ênfase em inovação climática e articulação institucional.
A reunião abordou o conjunto de frentes estratégicas conduzidas pelo Fórum — conscientização, advocacy, mobilização de capital e fortalecimento do ecossistema — e conectou esses eixos às iniciativas do Instituto Global ESG e do Movimento Interinstitucional ESG na Prática, incluindo regulação inteligente, financiamento sustentável, formação de capital humano, governança multissetorial e estruturação de ambientes favoráveis para startups de impacto.
Um dos pontos centrais da agenda foi o relatório “Unlocking Brazil’s Climate Tech Potential”, lançado pelo Fórum durante a COP30, na Casa ComBio, em Belém. O documento, produzido em parceria com Climate Ventures e no âmbito da iniciativa global CATAL1.5°T da GIZ, apresenta o primeiro panorama abrangente do ecossistema de climatechs no Brasil e destaca:
• acesso limitado a financiamento e ausência de instrumentos de capital de risco e capital paciente;
• necessidade de infraestrutura adequada para validação, certificação e escalabilidade tecnológica;
• gargalos regulatórios que retardam a expansão de soluções climáticas;
• baixa participação da América Latina no fluxo global de investimentos em inovação climática — apenas 0,8% dos US$ 92 bilhões destinados ao setor em 2024;
• expansão acelerada de verticais como agricultura sustentável, florestas e uso da terra, gestão de resíduos, energia limpa, saneamento, indústria de baixo carbono, logística e finanças de impacto.
O estudo aponta ainda recomendações estruturantes, como criação de instrumentos financeiros híbridos, sandboxes regulatórios, compras públicas verdes e modelos de blended finance capazes de reduzir riscos e ampliar o capital disponível. O relatório reforça que as climatechs representam um vetor estratégico para a nova economia verde — com potencial de impulsionar competitividade, reindustrialização sustentável e geração de empregos qualificados.
Ao conectar os resultados da COP30 com ações institucionais permanentes, o encontro reforça o compromisso do Instituto Global ESG em articular inovação, territórios, ciência, mercado e governança democrática. A agenda consolida pontes essenciais entre o Fórum Brasileiro das Climatechs, o Movimento Interinstitucional ESG na Prática e o Ecossistema de Impacto Arnone, estruturando cooperações voltadas ao avanço da economia de baixo carbono e à integração de políticas públicas, investimentos e soluções tecnológicas de impacto.
O pós-COP30 segue ativo: cada agenda aprofunda novas camadas de colaboração para transformar inovação climática em desenvolvimento real e duradouro para o país.