Podcast Esplanada: Protagonismo feminino na COP30 reforça missão brasileira por justiça climática e igualdade de gênero

Lideranças femininas defendem justiça climática, união entre mulheres e fortalecimento do papel do Brasil na agenda global de sustentabilidade

12/11/2025 00h27 - Atualizado há 3 semanas

Em meio à COP30, em Belém (PA), a pauta da representatividade feminina e da justiça climática ganha centralidade nas vozes de Paola Comin e Ana Clara Moura, executivas do Grupo Arnone e embaixadoras da Bancada Feminina da COP30.

 


 

Em entrevista à Esplanada Comunicação para Suely Martins, as líderes destacaram o papel do Instituto Global ESG na conexão entre o poder público, a iniciativa privada e a sociedade civil, e defenderam que a COP30 deve ser vista não como um evento, mas como uma missão coletiva de futuro.

 

 

 

Missão feminina e protagonismo global



Para Ana Clara Moura, a COP30 representa um ponto de virada na inserção das mulheres nos debates ambientais e de governança global.

 

Nós estamos às vésperas de um momento histórico. A COP não é uma reunião, é uma missão. Levar essa missão a sério é garantir o futuro de pessoas que a gente nem conhece, mas pelas quais somos responsáveis”, afirmou.

 

A jornalista e gestora pública também destacou que a justiça climática deve ser o epicentro das discussões, com olhar atento às mulheres como grupo mais vulnerável aos efeitos das crises ambientais.

 

As catástrofes estão alarmantes e as mulheres são as mais afetadas. É urgente discutir igualdade de gênero, segurança e combate à violência. O ambiental é essencial, mas o social e a governança precisam caminhar juntos”, completou.

 

 

Para Paola Comin, a COP30 é o momento de o Brasil reafirmar seu papel de liderança ambiental e humana.

 

O mundo inteiro olha para o Brasil. É a oportunidade de mostrar que estamos além do que esperam de nós. O olhar feminino humaniza decisões, traz sensibilidade e integra sustentabilidade, social e governança”, disse a diretora de Relações Internacionais do Grupo Arnone.

 

 

Carta das Mulheres: pluralidade e ação

 

A Bancada Feminina da COP30, idealizada por Gabriela Rollemberg, fundadora do movimento Quero Você Eleita, reúne lideranças femininas de todos os segmentos — indígenas, quilombolas, ribeirinhas, empresárias, artistas e gestoras públicas — na construção da Carta das Mulheres, documento que consolida reivindicações por igualdade, justiça social, segurança e representatividade.

 

Da mulher da indústria à mulher ribeirinha, toda voz importa. Toda história é um ponto a mais nesse conto que vai virar uma realidade”, declarou Ana Clara Moura.

 

O documento será entregue oficialmente durante a COP30 e também durante a 2ª Conferência Internacional de Sustentabilidade do Sistema de Justiça, em Belém, em ato coordenado pelo Instituto Global ESG junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

 

Queremos garantir que não seja apenas uma carta simbólica, mas um instrumento de atuação jurídica efetiva”, explicou Paola Comin.

 

 

Instituto Global ESG: elo entre poderes e sociedade

 

O Instituto Global ESG atua como ponte entre Estado, setor privado e sociedade civil, promovendo a agenda ESG 20+, que projeta as próximas duas décadas da sustentabilidade no Brasil.

 

Inspirado no legado de Kofi Annan, o Instituto lidera uma série de ações interinstitucionais no âmbito do Pacto de Transformação Ecológica, lançado pelo governo federal, e mantém uma consulta pública permanente sobre o Marco Nacional de Implementação da Sustentabilidade, com centenas de contribuições de órgãos e cidadãos.

 

A política pública boa não se faz sozinha. O nosso papel é aproximar quem formula, quem executa e quem é impactado. ESG é prática, é governança aplicada ao dia a dia”, afirmou Ana Clara Moura.

 

O Instituto nasceu para perpetuar o legado de Kofi Annan e consolidar o ESG 20+ como plano de desenvolvimento sustentável para o país”, completou Paola Comin.

 

 

O “lobby do bem” e a governança transparente

 

As executivas defenderam a regulamentação do lobby no Brasil como ferramenta legítima de articulação democrática, quando pautada por compliance e boa governança.

 

Nos Estados Unidos, o lobby é profissão regulamentada e uma das mais valorizadas. Aqui, ainda enfrentamos estigma. Mas o diálogo ético entre sociedade, empresas e governo é o que permite avançar políticas sustentáveis”, pontuou Paola.

 

A articulação política é necessária e deve ser feita de forma responsável. O chamado ‘lobby do bem’ é essencial para o desenvolvimento sustentável e para a defesa de causas públicas”, complementou Ana Clara.

 

 

Educação, igualdade e futuro

 

Ao projetar o futuro, Paola e Ana Clara convergem sobre o papel da educação e da redução das desigualdades como base para uma transição sustentável e justa.

 

Nenhuma outra meta global se sustenta sem educação de qualidade. É a ODS 4 que define como cuidaremos das florestas, das pessoas e das próximas gerações”, afirmou Paola.

 

Quando você reduz desigualdades, você garante dignidade. E a dignidade é princípio constitucional. Não adianta falar de ESG sem cuidar do ser humano”, disse Ana Clara.

 

 

Chamado à ação

 

Ambas reforçam que a COP30 não é um evento político, mas um chamado à responsabilidade coletiva.

 

Não é uma reunião, é um chamado. Cada cidadão precisa fazer sua parte — participando, acompanhando, informando e agindo com propósito”, afirmou Paola Comin.

 

A transformação começa com atitude. Criticar o poder público sem agir não muda a realidade. A COP30 acontece no nosso quintal — é hora de participar”, concluiu Ana Clara Moura.

 

 

O diálogo entre Paola Comin e Ana Clara Moura reflete a maturidade de uma nova geração de lideranças femininas brasileiras que unem propósito, técnica e diplomacia para projetar o país como protagonista da governança climática global.

 

Com a entrega da Carta das Mulheres e a consolidação da agenda ESG 20+, o Instituto Global ESG amplia o alcance de sua atuação multissetorial e reafirma a convicção de que sustentabilidade não é discurso — é prática, diálogo e responsabilidade compartilhada.


Confira o podcast na íntegra:

https://youtu.be/dgIFte64nAg?si=_Kd0lARxgnk1FZSu


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