Escrevo este artigo na esteira do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, uma data que convida não apenas à celebração, mas também à reflexão. Talvez a melhor forma de refletir sobre o que significa ser mulher hoje seja falar com verdade sobre aquilo que vivemos — no trabalho, na família, nos sonhos e nas incertezas que fazem parte da vida real.
Há uma frase que sempre me acompanha e que resume muito do que sou hoje: “Minha maior riqueza está em quem caminha comigo na vida.” Me ver como uma pessoa bem-sucedida nunca foi apenas sobre cargos, metas ou números. Isso tudo importa, claro. Mas o que realmente dá sentido a qualquer conquista é a base que sustenta cada passo: a família, as pessoas que nos lembram diariamente por que fazemos o que fazemos. Minha família é propósito, equilíbrio e responsabilidade. É por eles que eu cresço, é com eles que eu prospero e é pensando neles que quero sempre ser melhor — não apenas na vida pessoal, mas também na profissional. Talvez seja dessa força silenciosa que nasce a liderança que levo comigo todos os dias para o trabalho.
Hoje tenho a responsabilidade de atuar como Diretora Comercial do Grupo Arnone, conduzindo estratégias de vendas, marketing e comunicação dentro de um ecossistema que atua em três grandes eixos: legal, empresarial e institucional. A nossa L.E.I., como batizamos internamente. Tudo começou há mais de 25 anos, com um escritório de advocacia: a Arnone Advogados. A segurança jurídica foi o ponto de partida e continua sendo a base. Mas, ao longo do tempo, o que nasceu como uma estrutura jurídica evoluiu para um ecossistema de impacto que conecta soluções corporativas, estruturas empresariais, instituições e movimentos que dialogam com desafios reais do Brasil e também com agendas internacionais. Fazemos isso orientados por uma essência clara: nossos produtos e serviços precisam ser SUI Generis — Sustentáveis, Únicos e Inovadores.
Essa visão dialoga diretamente com uma provocação que marcou o debate global sobre responsabilidade corporativa. Em 2004, ao incentivar empresas e lideranças a assumirem compromissos concretos com sustentabilidade, o então secretário-geral da ONU Kofi Annan sintetizou uma ideia que continua atual: “Quem se importa, ganha.” Foi dessa visão que se consolidou o ESG — ambiental, social e governança — hoje presente na espinha dorsal de muitas organizações e também no modo como estruturamos nosso próprio ecossistema.
Mas nenhuma estratégia se sustenta sem pessoas. Por isso, neste momento em que refletimos sobre o Dia Internacional da Mulher, faço questão de registrar meu reconhecimento às mulheres que constroem diariamente este ecossistema conosco. Mulheres que lideram áreas, coordenam equipes, conduzem projetos complexos e equilibram agendas intensas com responsabilidades pessoais e familiares. Mulheres que trazem inteligência, sensibilidade estratégica, coragem e visão. Este texto também é um gesto de reconhecimento a cada uma delas. E registro igualmente o respeito pelos homens que caminham conosco nessa construção, aqueles que compreendem o valor da diversidade, respeitam e incentivam lideranças femininas, destacam talentos e também nos desafiam a crescer mais. Ambientes verdadeiramente sustentáveis nascem dessa convivência baseada em respeito, confiança e oportunidade.
Em 2025, depois de 14 anos na mesma empresa, aceitei um novo desafio profissional. Assumi a diretoria responsável por vendas, marketing e comunicação de uma holding com mais de dez marcas sob minha responsabilidade. Era um momento clássico de recomeço: frio na barriga, planejamento estratégico de 12 meses, metas ambiciosas e muito trabalho pela frente. Três meses depois, a vida resolveu testar minha capacidade de adaptação: descobri que estava grávida, depois de 14 anos.
Sou mãe de dois filhos — uma adolescente de 16 anos e um menino de 10. A fase do cuidado mais intenso já tinha ficado para trás. Rotina mais autônoma, noites mais silenciosas. Eu realmente acreditava que esse capítulo havia se encerrado. De repente, meu plano de 12 meses passou a ter um novo prazo: nove meses. Vieram o susto, a perda momentânea de controle, o medo da estabilidade e da energia necessária para sustentar tudo aquilo. Mas também veio uma felicidade enorme, vivida ao lado do meu marido — que não tinha filhos e recebeu essa notícia com um amor que só reforçou a certeza de que tudo faria sentido.
Foi um período de sentimentos ambíguos: insegurança e propósito, cansaço e entusiasmo. Curiosamente, essa mistura não me enfraqueceu — me fortaleceu. Vieram trabalhos mais intensos, cobranças maiores comigo mesma e algumas noites em claro, mas também a convicção silenciosa de que eu faria o que fosse necessário para que tudo desse certo: a gestação, o fluxo intenso de trabalho, o planejamento da licença-maternidade e a nova vida que estava sendo gerada dentro e fora de mim.
Hoje carrego um orgulho profundo da minha garra, da minha disciplina e do compromisso que construí com a empresa que represento e com o meu filho Vicente, que logo logo estará aqui. Quero que ele cresça sabendo que teve uma mãe presente — imperfeita, mas inteira — e que um dia possa ver fotos de eventos, reuniões, viagens e desafios dos quais ele já fazia parte… ainda no ventre.
Existe uma expectativa silenciosa sobre mulheres em posições de liderança: a de que tudo precisa ser perfeito. Carreira impecável, maternidade ideal, equilíbrio absoluto. A realidade não é assim. Ser mulher nesse processo é conviver com dúvidas, cansaço e pressão. Mas também é descobrir uma capacidade de adaptação que surpreende até a nós mesmas.
Para as mulheres que vivem algo parecido, deixo minha empatia real. Entre exames, enjoos, preocupações com a saúde, pré-natal e a pressão por performance, seguimos. Às vezes cansadas, às vezes assustadas, mas sempre em movimento. Ser mulher não é sobre dar conta de tudo com perfeição. É sobre ter coragem para seguir mesmo quando não temos todas as respostas.
Talvez seja essa a mensagem mais verdadeira que o Dia Internacional da Mulher nos lembra. Mulheres não são modelos de perfeição. Somos modelos de coragem — cheias de dúvidas, cheias de medo, mas fiéis aos nossos propósitos. Não a um só, mas a todos eles coexistindo dentro de nós. Porque, no fim das contas, a vida não exige equilíbrio perfeito. Ela pede presença, verdade e coragem para continuar construindo — todos os dias — os caminhos que acreditamos.