Posfácio de presidente da ANSEF qualifica obra sobre economia digital como referência para segurança jurídica e atuação do sistema policial
José Mauro de Barros, agente de Classe Especial da Polícia Federal, destaca rigor técnico, leitura sistêmica e respeito às garantias constitucionais como eixos centrais do trabalho de Alexandre Arnone e Sóstenes Marchezine
Ao assinar o posfácio da obra Arquitetura Regulatória da Economia Digital, Marcos Temporais das Bets no Brasil e seus Espectros Internacionais, o presidente da Associação Nacional dos Servidores da Polícia Federal (ANSEF Nacional), José Mauro de Barros, posiciona a publicação como uma contribuição relevante para o aprimoramento da segurança jurídica e para a qualificação da atuação institucional no enfrentamento dos desafios impostos pela economia digital.
Segundo ele, ao alcançar as páginas finais do livro, o leitor não encontra apenas o encerramento de uma análise técnica, mas “a consolidação de uma reflexão madura sobre um dos temas mais desafiadores do nosso tempo: a construção de uma arquitetura regulatória capaz de acompanhar, com rigor e responsabilidade, a dinâmica da economia digital”.
O dirigente da ANSEF e Agente de Classe Especial da Policial Fededal sustenta que a obra ultrapassa o recorte setorial ao integrar, de forma articulada, temas como apostas, gaming, criptoativos, blockchain, sistema financeiro, plataformas digitais e economia da influência. Essa abordagem, afirma, oferece “uma leitura sistêmica dos fluxos econômicos digitais”, permitindo compreender a complexidade dos mercados contemporâneos a partir de bases normativas sólidas.
Na avaliação de Barros, um dos principais méritos do trabalho está na sua capacidade de qualificar o debate público e institucional. Em um cenário frequentemente marcado por simplificações, ele ressalta que os autores demonstram que “a compreensão adequada dos fenômenos digitais exige precisão conceitual, domínio dos marcos regulatórios e atenção às suas sucessivas transformações ao longo do tempo”.
O posfácio também destaca a importância da dimensão temporal na análise jurídica. “A adequada delimitação entre legalidade, irregularidade e ilicitude não pode prescindir da análise do contexto normativo vigente em cada período”, afirma, alertando que a ausência desse cuidado pode levar a distorções relevantes, seja por antecipação indevida de juízos de criminalização, seja pela fragilização da própria atuação estatal.
Sob a ótica da segurança pública e da atuação policial, Barros enfatiza que o enfrentamento a ilícitos no ambiente digital exige mais do que instrumentos tradicionais. “Exige, cada vez mais, inteligência regulatória, integração interinstitucional e capacidade de leitura sistêmica dos mercados”, pontua, destacando a necessidade de respostas coordenadas diante de estruturas econômicas complexas e, muitas vezes, transnacionais.
Outro ponto enfatizado é o cuidado da obra em evitar generalizações. “Não há qualquer tentativa de associar, de forma automática, determinadas atividades econômicas à prática de ilícitos”, observa. Ao contrário, segundo ele, o trabalho reforça a necessidade de distinguir, com base técnica, entre atividade legítima, desconformidades regulatórias e estruturas criminosas organizadas — distinção essencial para uma atuação estatal equilibrada e eficien
O respeito às garantias constitucionais aparece como eixo estruturante da análise. Para Barros, a obra reafirma que “a preservação das garantias fundamentais não constitui obstáculo à atuação estatal; ao contrário, é o que assegura sua legitimidade, previsibilidade e estabilidade institucional”.
Ao sintetizar sua avaliação, o presidente da ANSEF afirma que o livro se consolida como “uma contribuição sólida e oportuna para o amadurecimento do debate jurídico e institucional no Brasil”, oferecendo parâmetros concretos para profissionais que atuam na interface entre regulação, economia digital e sistema de justiça.
Na conclusão, Barros ressalta que os desafios contemporâneos não comportam respostas simplistas. “Exigem densidade técnica, responsabilidade institucional e compromisso inegociável com o Estado de Direito”, afirma. E acrescenta que o trabalho de Alexandre Arnone e Sóstenes Marchezine se destaca por oferecer “uma leitura estruturada, crítica e alinhada às exigências contemporâneas”, contribuindo para a construção de um ambiente regulatório mais seguro, coerente e constitucionalmente equilibrado.
Apresentação da obra: perspectiva do sistema de justiça
A obra conta com apresentação assinada por Ivan Ricardo Garisio Sartori, desembargador aposentado e ex-presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que posiciona o livro como instrumento relevante para a tomada de decisões no âmbito jurisdicional. A análise destaca a necessidade de rigor técnico, a tensão entre norma e realidade e a centralidade das garantias constitucionais diante da crescente complexidade dos mercados digitais.
Para leitura completa:
Prefácio: referência para o ambiente regulatório contemporâneo
O prefácio é assinado por Giovanni Rocco Neto, secretário nacional de Apostas Esportivas e de Desenvolvimento Econômico do Esporte, que enquadra a obra como uma contribuição de elevada densidade técnica para a construção de um ambiente regulatório moderno, eficiente e alinhado às melhores práticas internacionais. O texto ressalta o papel do livro como instrumento analítico para a formulação de políticas públicas e decisões institucionais.
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Saiba mais sobre a obra
A publicação reúne 18 artigos técnico-jurídicos e integra série temática dedicada à análise da economia digital, seus marcos regulatórios e os impactos no sistema de justiça.
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Acesse a landing page especial sobre a obra “Arquitetura Regulatória da Economia Digital, Marcos Temporais das Bets no Brasil e seus Espectros Internacionais”: https://institutoglobal.org/bets/