Ana Clara Moura defende ESG e prevenção climática como critérios para avaliar planos de governo
Em artigo publicado no tradicional portal jurídico Migalhas, diretora do Instituto Global ESG propõe que eleitores examinem compromissos concretos com adaptação climática, proteção da população, responsabilidade fiscal e governança pública antes de escolher os próximos governadores
A incorporação efetiva dos princípios ESG aos planos de governo deve se tornar um dos critérios centrais para a avaliação das candidaturas nas eleições estaduais.
Essa é a reflexão apresentada por Ana Clara Moura, diretora de Relações Institucionais e Governamentais do Instituto Global ESG, no artigo “Governar é prevenir: Por que ESG deve estar nos planos de governo”, publicado hoje, 22 de setembro de 2026, no tradicional portal jurídico Migalhas.
No texto, a autora parte de uma questão diretamente relacionada à segurança da população e à capacidade institucional dos estados: as candidatas e os candidatos estão efetivamente preparados para prevenir riscos, enfrentar eventos climáticos extremos e promover um modelo sustentável de desenvolvimento?
A reflexão desloca o debate eleitoral das declarações genéricas para a análise objetiva dos planos de governo. Mais do que identificar referências formais a sustentabilidade, ESG ou Objetivos de Desenvolvimento Sustentável — ODS, o eleitor deve verificar se as propostas apresentam prioridades claras, metas, prazos, indicadores, previsão orçamentária e mecanismos de acompanhamento.
Para Ana Clara Moura, a emergência climática exige uma administração pública capaz de agir antes que o risco se transforme em desastre.
“A boa gestão pública não deve esperar o desastre acontecer para agir.”
Da reação à prevenção
Enchentes, secas, incêndios, deslizamentos, ondas de calor e crises de abastecimento não produzem somente danos ambientais. Seus efeitos alcançam a saúde pública, a infraestrutura, a mobilidade, a produção econômica, a geração de empregos, o abastecimento de água e alimentos e a continuidade dos serviços essenciais.
Quando o planejamento preventivo falha, o poder público precisa mobilizar recursos emergenciais para socorrer a população, reconstruir estradas, pontes, escolas e hospitais e restabelecer serviços interrompidos. O custo humano, social e fiscal dessa resposta pode ser significativamente superior ao investimento prévio em prevenção.
Nesse contexto, o artigo destaca medidas que devem integrar o planejamento estadual, como:
- mapeamento e monitoramento permanente de áreas de risco;
- modernização dos sistemas de alerta;
- fortalecimento institucional e operacional da Defesa Civil;
- proteção dos recursos hídricos e da segurança de abastecimento;
- preparação da rede pública de saúde;
- planejamento urbano orientado pela gestão de riscos;
- investimentos em infraestrutura resiliente;
- políticas de adaptação às mudanças climáticas;
- definição de metas, indicadores e mecanismos de transparência.
A mensagem central é que governar não significa apenas responder adequadamente às emergências. Significa desenvolver capacidade institucional para antecipá-las, reduzir vulnerabilidades e proteger a população.
ESG como instrumento de gestão pública
Outro ponto relevante do artigo é a superação da ideia de que ESG seria uma agenda exclusiva do setor privado. Na administração pública, os três pilares podem orientar decisões, investimentos e políticas de Estado.
A dimensão ambiental envolve a proteção dos recursos naturais, o enfrentamento dos riscos climáticos, a segurança hídrica e a preparação dos territórios para eventos extremos.
A dimensão social compreende a proteção da vida, a redução das vulnerabilidades, o acesso a serviços públicos de qualidade e a atenção prioritária às populações mais expostas aos efeitos de desastres e crises ambientais.
A dimensão da governança exige planejamento, coordenação entre órgãos públicos, definição de responsabilidades, utilização de dados, estabelecimento de metas, monitoramento de resultados, transparência e aplicação responsável dos recursos públicos.
Sob essa perspectiva, ESG deixa de ser uma referência abstrata e passa a funcionar como uma arquitetura para a formulação, a execução e a avaliação de políticas públicas.
Prevenção também é responsabilidade fiscal
O artigo chama atenção, ainda, para a conexão entre sustentabilidade, desenvolvimento econômico e responsabilidade fiscal.
Estados mais preparados para eventos climáticos protegem não apenas o meio ambiente, mas também sua infraestrutura, suas cadeias produtivas, sua capacidade de investimento e seu patrimônio público. A prevenção reduz interrupções econômicas, diminui a necessidade de gastos extraordinários e amplia a segurança para cidadãos, empresas e investidores.
A discussão, portanto, não deve ser apresentada como uma escolha entre desenvolvimento e sustentabilidade. O que está em jogo é a construção de um modelo de desenvolvimento capaz de reconhecer riscos, preservar ativos estratégicos e evitar que recursos públicos sejam permanentemente consumidos pela reconstrução do que poderia ter sido protegido.
Esse é um dos principais insights do artigo: a política climática também deve ser compreendida como política econômica, fiscal, urbana, social e de infraestrutura.
ODS como referências para o planejamento estadual
Ana Clara Moura também aponta os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável como referências importantes para a elaboração dos planos de governo.
Temas como saúde, saneamento, segurança hídrica, redução das desigualdades, cidades sustentáveis, trabalho decente, desenvolvimento econômico, ação climática, proteção ambiental e fortalecimento das instituições estão diretamente relacionados às competências e responsabilidades dos governos estaduais.
A integração entre ESG e ODS permite que o planejamento público considere, de maneira articulada, os problemas imediatos e os riscos que poderão determinar o desenvolvimento dos estados nas próximas décadas.
Mais do que reproduzir siglas, entretanto, os planos precisam demonstrar como esses princípios serão convertidos em políticas públicas, programas, orçamento, metas mensuráveis e resultados verificáveis.
Um roteiro para o eleitor avaliar os planos de governo
O artigo propõe que a sociedade assuma uma postura ativa diante dos documentos apresentados pelas candidaturas. Entre as questões que podem orientar essa avaliação estão:
- Existe uma estratégia concreta de prevenção de desastres?
- Como a candidatura pretende enfrentar enchentes, secas, incêndios, deslizamentos e ondas de calor?
- Há propostas específicas para a proteção dos recursos hídricos?
- O plano prevê o fortalecimento da Defesa Civil?
- Existem investimentos destinados à adaptação climática e à infraestrutura resiliente?
- A rede pública de saúde será preparada para os efeitos dos eventos extremos?
- Foram definidos metas, prazos, responsáveis e indicadores?
- Há indicação de como as medidas serão financiadas?
- A população terá acesso a instrumentos de monitoramento e prestação de contas?
- As propostas priorizam a prevenção ou apenas a reação após a ocorrência dos desastres?
Esse conjunto de perguntas transforma ESG em um critério prático de avaliação eleitoral e de controle social. Também contribui para diferenciar compromissos estruturados de menções superficiais inseridas nos programas apenas para atender às expectativas do debate público.
Voto, governança e futuro
Ao aproximar ESG do processo eleitoral, Ana Clara Moura sustenta que a escolha dos próximos governadores também definirá o grau de preparação dos estados para desafios climáticos, sociais e econômicos que já estão em curso.
A autora defende uma nova forma de governar: preventiva, integrada, transparente, orientada por dados e baseada em evidências. Nesse modelo, a agenda de sustentabilidade deixa de ser periférica e passa a integrar o núcleo estratégico da administração pública.
“O voto também é uma escolha sobre o futuro.”
A principal contribuição do artigo está em converter a agenda ESG em uma pergunta objetiva dirigida às candidaturas: o plano de governo apresenta capacidade real de antecipar riscos, proteger vidas e conduzir o desenvolvimento sustentável do estado?
A resposta, segundo a linha de raciocínio desenvolvida no texto, não deve ser procurada apenas nos discursos de campanha. Deve ser encontrada nos compromissos, nos instrumentos de execução e nos mecanismos de acompanhamento apresentados à sociedade.
Sobre a autora
Ana Clara Moura é diretora de Relações Institucionais e Governamentais do Instituto Global ESG e chefe de gabinete da Frente Parlamentar ESG do Congresso Nacional.
Foi delegada homologada da 1ª Conferência Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e integra o Conselho Feminino do Grupo Brasil Export.
Atua na articulação entre os setores público e privado, academia e terceiro setor, promovendo agendas relacionadas ao desenvolvimento sustentável, à governança, à implementação dos ODS e ao fortalecimento da participação feminina nos espaços de liderança e tomada de decisão.
Leia o artigo completo
“Governar é prevenir: Por que ESG deve estar nos planos de governo”, de Ana Clara Moura, está disponível no portal Migalhas:
Entre em nosso Grupo Whatsapp
Participar