Mulheres articulam liderança, governança e redes de apoio em encontro voltado à construção de legados e agendas pós-COP30
Evento reuniu representantes de instituições nacionais ligadas à governança, sustentabilidade, participação política feminina e desenvolvimento social, destacando iniciativas como a Carta das Mulheres para a COP30, o projeto Mulheres que Pensam Brasil e ações voltadas ao fortalecimento da presença feminina nos espaços de decisão e na consolidação de agendas permanentes para o período pós-conferência climática
A articulação entre liderança feminina, sustentabilidade, governança e participação institucional esteve no centro dos debates realizados durante encontro que reuniu representantes de diversas organizações da sociedade civil, movimentos femininos, instituições de governança e entidades ligadas à agenda ESG. O evento destacou iniciativas voltadas ao fortalecimento da presença das mulheres nos espaços de poder, à construção de redes de apoio e à formulação de agendas estruturantes para o período pós-COP30, conferência climática das Nações Unidas que será realizada no Brasil.
A programação reuniu lideranças femininas de diferentes áreas de atuação e trouxe reflexões sobre maternidade, representatividade, ocupação política, cooperação institucional e construção coletiva de soluções para os desafios contemporâneos. O encontro também reforçou a importância da atuação integrada entre organizações públicas, privadas e da sociedade civil na consolidação de políticas voltadas à equidade, governança e desenvolvimento sustentável de longo prazo.
A advogada Gabriela Rollemberg sintetizou o espírito coletivo do encontro ao defender a construção de redes de cooperação feminina voltadas à ampliação da participação das mulheres nos espaços de poder, governança e formulação de políticas públicas.
“Eu uno as minhas mãos às suas. Eu uno o meu propósito aos seus, para que juntas e juntos possamos fazer muito mais do que eu posso fazer sozinha. Eu sou uma, mas não sou só”, afirmou.
A declaração abriu os debates do encontro e serviu como eixo simbólico das discussões sobre liderança feminina, apoio institucional, construção coletiva e fortalecimento da presença das mulheres em ambientes estratégicos de decisão, especialmente no contexto das agendas climáticas, sociais e de governança relacionadas ao período pós-COP30.
Durante o evento, representantes do movimento Quero Você Eleita detalharam iniciativas voltadas ao incentivo da participação feminina na política e na formulação de políticas públicas. Segundo a organização, há cinco anos vêm sendo desenvolvidos projetos destinados a acelerar a ocupação dos espaços de poder por mulheres, por meio de ações de formação, articulação institucional e construção de agendas coletivas.
Entre os destaques apresentados esteve o projeto “Bancada Feminina na COP30”, estruturado em parceria com diversas instituições nacionais. A iniciativa resultou na elaboração da chamada “Carta das Mulheres para a COP30”, documento coletivo construído por quase 100 organizações da sociedade civil.
Segundo as expositoras, participaram da construção da iniciativa entidades como o Instituto Global ESG, a Rede Governança Brasil, o grupo Mulheres do Brasil, o movimento Elas Pedem Vista, entre outras organizações voltadas à governança, cidadania, sustentabilidade e fortalecimento institucional.
Representando o Instituto Global ESG, participaram do encontro as diretoras Ana Clara Moura e Paola Comin, reforçando a atuação institucional da entidade nas agendas relacionadas à governança sustentável, articulação multissetorial e participação feminina nos espaços estratégicos de decisão.
A proposta busca consolidar uma agenda feminina estratégica voltada não apenas aos debates da COP30, mas também à implementação prática de compromissos e políticas públicas no período posterior à conferência climática, reforçando a necessidade de inclusão das mulheres nos processos decisórios relacionados às mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável, governança e justiça social.
A diretora de relações institucionais e governamentais do Instituto Global ESG, Ana Clara Moura, destacou que o fortalecimento da participação feminina nos espaços estratégicos de decisão depende da construção de agendas permanentes de governança, cooperação institucional e articulação multissetorial.
“A construção de políticas públicas mais sustentáveis, legítimas e representativas passa necessariamente pela presença efetiva das mulheres nos ambientes de liderança e tomada de decisão. Não se trata apenas de ampliar participação, mas de fortalecer capacidade institucional, diversidade de perspectivas e compromisso coletivo com transformações estruturais duradouras, especialmente diante dos desafios sociais, econômicos e climáticos contemporâneos”, afirmou.
Já a diretora de relações internacionais do Instituto Global ESG, Paola Comin, ressaltou a relevância da articulação internacional e da cooperação entre instituições na consolidação de agendas femininas voltadas ao período pós-COP30.
“A COP30 representou um marco global extremamente relevante, mas o verdadeiro desafio estará na capacidade de transformar compromissos institucionais em ações concretas, permanentes e mensuráveis. A construção de redes internacionais de cooperação, governança e liderança feminina será fundamental para garantir continuidade, efetividade e impacto real às agendas relacionadas ao desenvolvimento sustentável, à justiça climática e à inclusão social”, destacou.
Representantes do Instituto Global ESG também ressaltaram a importância da integração entre sustentabilidade, participação institucional e liderança feminina. Durante as falas, foi apresentado o projeto “Mulheres que Pensam Brasil”, iniciativa desenvolvida em parceria com o coletivo Quero Você Eleita.
“O Instituto Global ESG se uniu ao Quero Você Eleita para fortalecer um espaço permanente de diálogo, formulação estratégica e construção coletiva. O Mulheres que Pensam Brasil nasce justamente da compreensão de que governança, sustentabilidade e participação feminina precisam caminhar juntas para produzir transformações concretas e duradouras”, destacou uma das representantes da instituição durante o encontro.
O evento também abriu espaço para relatos pessoais sobre maternidade, redes de acolhimento e os desafios enfrentados pelas mulheres na conciliação entre vida profissional, liderança institucional e responsabilidades familiares. Os depoimentos reforçaram a ideia de que a construção de trajetórias femininas sólidas depende não apenas de mérito individual, mas também de estruturas coletivas de apoio, cooperação e solidariedade.
“Maternar é muito mais do que só gestar uma criança”, afirmou uma das participantes ao abordar os impactos emocionais e estruturais da maternidade na trajetória profissional das mulheres.
Outro momento de destaque ocorreu quando participantes compartilharam experiências pessoais sobre apoio feminino em momentos de vulnerabilidade, ressaltando o papel das redes de acolhimento entre mulheres em ambientes institucionais e profissionais.
“Tudo faz com que a nossa caminhada seja mais leve se a gente tiver essa rede de apoio”, destacou uma das expositoras.
As discussões também avançaram sobre representatividade feminina no sistema de Justiça e na ocupação de espaços institucionais historicamente masculinos. Em uma das falas mais simbólicas do encontro, uma das participantes afirmou:
“Eu não sou uma mulher só de um tribunal de justiça. Eu sou uma justiça.”
A declaração sintetizou um dos principais eixos debatidos ao longo do evento: a necessidade de compreender a presença feminina não apenas como inclusão quantitativa, mas como transformação efetiva das estruturas de poder, governança e tomada de decisão.
Ao longo das atividades, as participantes reforçaram que a agenda de sustentabilidade contemporânea exige necessariamente diversidade, pluralidade institucional, participação social e fortalecimento das mulheres nos ambientes de formulação política e estratégica, especialmente diante do desafio de transformar compromissos climáticos em ações concretas e permanentes após a COP30.
O encontro consolidou, assim, uma visão de continuidade institucional e construção de legado, voltada à consolidação de políticas públicas, mecanismos de governança e articulações multissetoriais capazes de garantir que os debates climáticos internacionais produzam efeitos concretos, inclusivos e duradouros para as próximas gerações.