IBGE e PNUD colocam desenvolvimento humano, mudanças climáticas e Agenda 2030 no centro de diálogo nacional que reúne especialistas no CICB

Caderno de Referência do 5º Diálogo Nacional para o Desenvolvimento reúne estudos estratégicos do IBGE, PNUD, Ministério do Planejamento e Banco Interamericano de Desenvolvimento e servirá de base para debate com especialistas, entre eles o vice-presidente do Instituto Global ESG, Sóstenes Marchezine

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A sustentabilidade deixou de ser tratada apenas como uma agenda ambiental e passou a ocupar posição central na formulação de políticas públicas, na economia, na governança e no próprio conceito de desenvolvimento humano. É sob essa perspectiva que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) estruturaram o 5º Diálogo Nacional para o Desenvolvimento – Os desafios da sustentabilidade como vetor do desenvolvimento humano brasileiro, cuja programação antecede a abertura da 1ª Conferência Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília.

A relevância do encontro vai além da reunião de especialistas.

Os debates serão orientados por um extenso Caderno de Referência, elaborado conjuntamente pelo IBGE e pelo PNUD, que consolida estudos nacionais e internacionais considerados estratégicos para compreender como as mudanças climáticas, as transformações ambientais, as desigualdades sociais e os novos desafios econômicos influenciam diretamente a qualidade de vida da população brasileira e os caminhos para o desenvolvimento do país.

Entre os expositores convidados para integrar o painel principal está Sóstenes Marchezine, vice-presidente do Instituto Global ESG, conselheiro titular da OAB e representante do Conselho Federal da OAB na Comissão Nacional para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (CNODS), cuja participação reforça a inserção da instituição nos principais fóruns nacionais de construção das agendas relacionadas ao desenvolvimento sustentável.

 

Um diálogo construído a partir de evidências

Ao apresentar o Caderno de Referência, os organizadores deixam claro que o objetivo do encontro não é apenas promover reflexões teóricas.

A proposta consiste em aproximar evidências científicas, estatísticas oficiais, experiências institucionais e conhecimento técnico para subsidiar políticas públicas capazes de responder aos desafios contemporâneos do desenvolvimento brasileiro.

O 5º Diálogo Nacional para o Desenvolvimento propõe a realização de um debate estruturado, moderado e objeto de relatoria técnica, reunindo instituições, especialistas e representantes de distintos segmentos da sociedade”, destaca o documento elaborado pelo IBGE e pelo PNUD. O texto acrescenta que a iniciativa pretende “contribuir para o debate sobre diretrizes para políticas públicas que sejam estratégicas na promoção de um desenvolvimento humano mais inclusivo e igualitário”.

Essa construção técnica integra o Projeto de Cooperação Internacional desenvolvido entre o IBGE e o PNUD, cujo propósito é transformar o conhecimento produzido pelo Censo Demográfico de 2022 em instrumento de formulação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento humano.

 

Sustentabilidade como eixo do desenvolvimento humano

O Caderno de Referência parte de uma premissa que vem ganhando espaço na comunidade científica internacional: não é mais possível dissociar desenvolvimento humano das transformações ambientais.

Segundo o documento, saúde, segurança alimentar, habitação, geração de emprego e renda, redução das desigualdades e qualidade das políticas públicas são dimensões diretamente afetadas pelas mudanças climáticas e pelas pressões exercidas sobre os ecossistemas.

Os organizadores afirmam que o debate busca compreender como essas diferentes dimensões podem ser integradas em um novo modelo de desenvolvimento.

O Diálogo busca apreender e relacionar as questões ambientais com as possibilidades de um novo ciclo de desenvolvimento — ancorado em premissas sustentáveis sob a ótica do financiamento, do investimento e da produção — capaz de alicerçar uma sociedade mais justa, inclusiva e democrática.

 

Agenda 2030 e governança baseada em dados

Um dos pilares do Caderno de Referência é a publicação “Reflexões sobre a Agenda 2030 – 10 anos dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, produzida pelo IBGE.

O estudo demonstra que a implementação dos ODS depende cada vez mais da integração entre diferentes instituições públicas, universidades, organismos internacionais e sociedade civil, além da produção de indicadores estatísticos confiáveis capazes de orientar decisões governamentais.

O documento também ressalta que o Brasil possui posição de destaque na produção de indicadores da Agenda 2030 e atribui ao IBGE papel estratégico tanto na coordenação nacional quanto na articulação internacional dos sistemas de monitoramento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Outro ponto enfatizado é que políticas públicas eficazes exigem governança colaborativa, compartilhamento de informações, harmonização metodológica e cooperação permanente entre instituições.

O êxito na implementação dos ODS depende, em larga medida, da integração e da cooperação interinstitucional”, registra o estudo.

 

Mudanças climáticas deixam de ser apenas pauta ambiental

O segundo grande eixo do material utilizado no Diálogo é o Estudo Estratégico dos Impactos Econômicos da Mudança do Clima no Brasil – Estratégia Brasil 2050, elaborado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

O levantamento reforça que a mudança do clima representa um dos maiores desafios econômicos, sociais e institucionais do século XXI.

Segundo o documento, os efeitos da inação climática poderão comprometer crescimento econômico, geração de empregos, segurança alimentar, produtividade e aprofundar desigualdades regionais.

Entre os dados apresentados, o estudo estima que um cenário de aquecimento global de 4°C poderá representar perdas acumuladas entre R$ 10,3 trilhões e R$ 17,1 trilhões para a economia brasileira até 2050, além de provocar impactos mais severos justamente nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Por outro lado, a adoção de políticas compatíveis com os objetivos do Acordo de Paris poderá gerar crescimento econômico adicional, criação de aproximadamente um milhão de empregos e redução das desigualdades regionais.

 

O Antropoceno e uma nova visão de desenvolvimento

O terceiro documento estruturante do Diálogo é o Relatório de Desenvolvimento Humano 2020, publicado pelo PNUD, cujo tema central é o Antropoceno — conceito utilizado para definir a atual era geológica marcada pela influência decisiva das atividades humanas sobre o planeta.

O relatório sustenta que as crises climática, sanitária, econômica e social são fenômenos interdependentes e que respostas fragmentadas deixaram de ser suficientes.

Os sinais de alarme — para as nossas sociedades e para o planeta — reluzem, vermelhos”, registra o documento ao defender que desenvolvimento humano, equidade, inovação e preservação ambiental precisam ser tratados como elementos inseparáveis.

O relatório também afirma que o desenvolvimento humano não pode ser medido apenas pelo crescimento econômico, mas pela expansão das liberdades, das capacidades humanas e das oportunidades de escolha, respeitando simultaneamente os limites ecológicos do planeta.

 

Participação do Instituto Global ESG

A presença do Instituto Global ESG no painel principal do 5º Diálogo Nacional para o Desenvolvimento ocorre em sintonia com a atuação que a instituição vem desempenhando na construção das agendas ESG e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em âmbito nacional.

Nos últimos meses, o Instituto coordenou conferências livres da CNODS, participou da elaboração de propostas para a Conferência Nacional dos ODS, promoveu debates sobre governança, reporte de sustentabilidade, inovação, integridade, financiamento sustentável e integração entre ESG e Agenda 2030.

Ao reunir, no mesmo espaço e na mesma data, especialistas convidados pelo IBGE e pelo PNUD e, na sequência, os milhares de participantes da 1ª Conferência Nacional dos ODS, Brasília transforma-se em um grande laboratório institucional voltado à construção de políticas públicas orientadas por evidências, cooperação interinstitucional e desenvolvimento sustentável.

Nesse contexto, a participação de Sóstenes Marchezine representa não apenas a contribuição técnica do Instituto Global ESG para o debate, mas também o reconhecimento da importância do diálogo entre Estado, organismos internacionais, academia, setor privado, sistema de Justiça e sociedade civil na construção de soluções para um dos maiores desafios contemporâneos: promover desenvolvimento humano sem deixar ninguém para trás e preservando as condições necessárias para as futuras gerações.