TV Global ESG promove Podcast Especial sobre ESG, Resoluções CVM nº 193/2023 e 244/2026, IFRS S1 e S2 e os rumos do reporte de sustentabilidade no Brasil
Sóstenes Marchezine e Ana Clara Moura aprofundam debate iniciado em entrevista à CBN e analisam impactos regulatórios, desafios de implementação, Agenda 2030, Conferência Nacional dos ODS e perspectivas para os próximos 20 anos da sustentabilidade corporativa
A recente publicação da Resolução CVM nº 244/2026, que alterou substancialmente o modelo originalmente estabelecido pela Resolução CVM nº 193/2023 para a divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade, segue mobilizando o mercado de capitais, entidades representativas, investidores, especialistas e organizações públicas e privadas em todo o país.
Em meio a esse cenário, a TV Global ESG lançou uma edição especial de seu podcast para aprofundar uma das discussões mais relevantes da agenda ESG brasileira contemporânea: a trajetória regulatória do reporte de sustentabilidade, a incorporação dos padrões internacionais IFRS S1 e IFRS S2 ao ambiente regulatório nacional e os possíveis desdobramentos da Resolução CVM nº 244/2026 para empresas, investidores, cadeias produtivas e instituições.
O episódio foi gravado logo após a participação ao vivo de Sóstenes Marchezine e Ana Clara Moura no programa Sustentabilidade em Pauta, da rádio CBN, oportunidade em que ambos iniciaram uma reflexão sobre os efeitos da nova regulamentação e os desafios de implementação da sustentabilidade na prática.
Durante a conversa, os participantes destacaram que o debate sobre a Resolução CVM nº 244/2026 não pode ser analisado de forma isolada, mas exige compreensão da linha do tempo regulatória construída ao longo dos últimos anos, envolvendo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade (CBPS), o International Sustainability Standards Board (ISSB), entidades representativas do mercado financeiro, do setor empresarial, da contabilidade, da governança corporativa e da sociedade civil organizada.
“A resolução representa avanços ou representa retrocessos? Essa é uma pergunta extremamente complexa. Não é uma questão que se responde em um minuto, em cinco minutos ou mesmo em uma palestra inteira. Estamos falando de uma trajetória regulatória construída ao longo de anos e que envolve inúmeras instituições de grande relevância para o país”, afirmou Sóstenes Marchezine.
Segundo ele, que é vice-presidente do Instituto Global ESG e sócio-diretor da Arnone Advogados e do Grupo Arnone em Brasília, embora a norma tenha como destinatárias diretas as companhias abertas, seus efeitos alcançam toda a cadeia de valor associada a essas organizações.
“Quando falamos da Resolução CVM nº 193 de 2023 e da Resolução CVM nº 244 de 2026, estamos falando também de fornecedores, prestadores de serviços, financiadores, investidores e de empresas que sequer são listadas em bolsa, mas que estão inseridas nesse ecossistema. É por isso que essa discussão é tão importante para o dia a dia dos empresários e das instituições públicas e privadas”, destacou.
Debate mobiliza entidades do mercado e amplia discussão sobre sustentabilidade
Ao longo do podcast, Marchezine observou que a publicação da Resolução CVM nº 244/2026 desencadeou um amplo movimento institucional no país.
Foram citadas as manifestações públicas divulgadas por organizações ligadas ao mercado financeiro e ao ecossistema de sustentabilidade, incluindo Instituto Clima e Sociedade (iCS), Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Ibracon, Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Apimec Brasil, Anefac, Amec, além de entidades como ABDE, Anbima e Febraban.
Segundo o especialista, a dimensão alcançada pelo debate demonstra a relevância estratégica que a sustentabilidade passou a ocupar na governança corporativa e nas decisões de mercado.
“Muita gente está discutindo e colocando no centro do debate a importância do que veio com a Resolução CVM nº 244. Talvez com intensidade igual ou até superior àquela observada quando surgiu a Resolução CVM nº 193, que internalizou no Brasil os padrões IFRS S1 e IFRS S2”, observou.
Ele ressaltou ainda que os padrões internacionais emitidos pelo ISSB não representam apenas um conjunto de indicadores ambientais ou sociais, mas instrumentos voltados à mensuração de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade.
“Quando tratamos de IFRS S1 e IFRS S2, estamos lidando com expectativas de mercado, expectativas de investidores e com a forma como os impactos da sustentabilidade e das mudanças climáticas influenciam decisões econômicas e financeiras.”
Da regulação à implementação prática
Outro ponto central da discussão foi a necessidade de simplificar o debate técnico e aproximar a pauta ESG da realidade cotidiana das organizações.
Para Ana Clara Moura, Diretora de Relações Institucionais e Governamentais do Instituto Global ESG e do Grupo Arnone, a implementação efetiva da sustentabilidade depende da construção de convergências entre diferentes setores da sociedade.
“O mote do nosso trabalho é convergência. Buscamos conectar iniciativa privada, poder público, academia e sociedade civil organizada para construir soluções coletivas. É essa construção conjunta que permitirá uma implementação do ESG na prática, de forma eficaz, eficiente e assertiva”, afirmou.
Segundo ela, os desafios contemporâneos relacionados às mudanças climáticas tornam ainda mais urgente o fortalecimento de mecanismos de cooperação institucional.
“Estamos entrando em um período crítico do ponto de vista climático. Os alertas sobre fenômenos extremos exigem uma atuação coordenada. A sustentabilidade não pode ser vista apenas sob o olhar das normas ou da técnica. Precisamos discutir também quais ações concretas podem minimizar riscos e ampliar a resiliência das organizações e da sociedade.”
Agenda 2030 e Conferência Nacional dos ODS
O episódio também dedicou espaço à discussão sobre a Agenda 2030 das Nações Unidas e a realização da 1ª Conferência Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que ocorrerá entre os dias 30 de junho e 2 de julho, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília.
Ana Clara Moura, que integra a delegação homologada da Conferência Nacional dos ODS, destacou a importância do processo participativo que vem mobilizando instituições de todas as regiões do país.
“A conferência representa uma oportunidade histórica de construção coletiva. Quanto maior a participação social, maior será a legitimidade das propostas e dos resultados que serão apresentados pelo Brasil.”
Marchezine lembrou que seis propostas apresentadas pelo Instituto Global ESG e pelo Movimento ESG na Prática foram priorizadas durante o processo preparatório e integrarão as discussões da etapa nacional.
Entre elas está o alinhamento entre indicadores ESG e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
“Uma das propostas priorizadas trata justamente da parametrização entre ESG e ODS. Precisamos avançar em métricas comparáveis e em mecanismos que permitam integrar essas agendas de maneira prática e objetiva.”
ESG20+, convergência regulatória e os próximos 20 anos da agenda ESG
Ao comentar as iniciativas conduzidas pelo Instituto Global ESG, os participantes destacaram o Programa ESG20+, criado para celebrar os 20 anos do conceito ESG e construir uma agenda estratégica para os próximos 20 anos.
“O ESG20+ nasceu para celebrar os primeiros 20 anos do ESG, mas principalmente para construir os próximos 20 anos dessa agenda no Brasil. Estamos falando de transformação cultural, de um processo que exige tempo, aprendizado e amadurecimento institucional”, explicou Marchezine.
Ana Clara complementou que a proposta central do programa é transformar legado em ação.
“De 2004 a 2024 tivemos 20 anos de legado. Agora queremos construir 20 anos de ação. Não temos mais tempo para errar. Precisamos dialogar, convergir e construir juntos.”
Os participantes também ressaltaram a importância do Marco Regulatório do ESG para o Desenvolvimento Sustentável, iniciativa que busca mapear normas, legislações e instrumentos regulatórios capazes de fomentar a implementação prática da sustentabilidade nas organizações brasileiras.
“O desafio não é apenas compreender as normas. É identificar quais delas geram benefícios concretos para empresas, instituições e comunidades. Precisamos demonstrar que sustentabilidade não é apenas uma obrigação regulatória, mas uma estratégia de geração de valor”, destacou Marchezine.
O ESG além da conformidade
Na parte final do podcast, os participantes defenderam que a sustentabilidade precisa ser compreendida para além das exigências regulatórias.
“A pauta ESG não deve mais ser tratada como uma possibilidade futura. Ela já faz parte do presente das organizações e das decisões corporativas”, afirmou Marchezine.
Ana Clara reforçou que a transformação começa no indivíduo.
“A sustentabilidade não é compromisso apenas de um CNPJ. Ela começa como compromisso de um CPF. É uma questão de sobrevivência coletiva e de responsabilidade compartilhada.”
Ao encerrar o episódio, os participantes reiteraram a importância de ampliar o debate público sobre os impactos da Resolução CVM nº 244/2026, acompanhando seus desdobramentos regulatórios, empresariais e institucionais.
“Mais do que defender ou criticar uma norma específica, precisamos compreender os desafios e as oportunidades que cada movimento regulatório traz para a sociedade. O ESG precisa ser visto como algo benéfico para as empresas, para os investidores, para as comunidades e para o desenvolvimento sustentável do país”, concluiu Marchezine.
Assista à edição especial do podcast:
https://youtu.be/2bJHXN6I_Js?si=9oh9YgDE0Wix3to5