SICV Brasil mobiliza instituições em defesa da economia circular e da sustentabilidade baseada em ciência

Agenda promovida pelo Instituto Global ESG reuniu IBICT, representantes da reciclagem e lideranças institucionais para fortalecer o Sistema de Inventário do Ciclo de Vida e contribuir com debate em curso no Senado Federal

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O fortalecimento do Sistema de Inventário do Ciclo de Vida Brasileiro (SICV Brasil), considerado uma das mais importantes infraestruturas nacionais de dados voltadas à sustentabilidade, à economia circular e à formulação de políticas públicas, esteve no centro de uma agenda institucional realizada no Instituto Global ESG, reunindo representantes do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), lideranças da cadeia da reciclagem e especialistas em desenvolvimento sustentável.

O encontro reforçou a importância estratégica do SICV Brasil para o país e marcou o avanço de uma articulação institucional voltada à mobilização de entidades públicas e privadas em defesa da manutenção, fortalecimento e expansão da plataforma, considerada referência nacional e internacional na produção e disponibilização de dados relacionados à Avaliação do Ciclo de Vida (ACV).

Participaram da agenda Ana Clara Moura, diretora de Relações Institucionais e Governamentais do Instituto Global ESG; Cecília Leite, diretora do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT); e Aline Souza, representante dos catadores de materiais recicláveis e articuladora de iniciativas ligadas à gestão de resíduos sólidos e à inclusão produtiva.

Vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o IBICT é responsável pela coordenação técnica do SICV Brasil e atua como parceiro institucional oficial do Instituto Global ESG por meio de acordo de cooperação celebrado entre as instituições e publicado no Diário Oficial da União.

Além disso, o IBICT exerce papel de co-liderança no Conselho Permanente de Tecnologia e Inovação Sustentável do Programa ESG20+, iniciativa desenvolvida no âmbito do Movimento Interinstitucional ESG na Prática, que reúne representantes do setor público, da iniciativa privada, da academia e da sociedade civil em torno da implementação prática dos princípios ESG e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Durante o encontro, Cecília Leite destacou que o trabalho desenvolvido pelo IBICT na construção da infraestrutura nacional de inventários de ciclo de vida representa uma conquista científica e institucional construída ao longo de mais de duas décadas.

O Brasil não possuía uma estrutura consolidada nessa área até que o IBICT iniciou esse trabalho, há cerca de vinte anos. Hoje, o SICV Brasil é uma ferramenta amplamente utilizada para economia circular, políticas públicas, sustentabilidade e desenvolvimento de soluções capazes de transformar dados em benefícios concretos para a sociedade”, afirmou.

Segundo ela, a informação qualificada deve estar a serviço do desenvolvimento nacional.

Não faz sentido produzir conhecimento sem que ele chegue às pessoas e contribua para melhorar sua realidade. O papel do IBICT é justamente conectar informação, ciência, tecnologia e desenvolvimento sustentável”, acrescentou.

A diretora de Relações Institucionais e Governamentais do Instituto Global ESG, Ana Clara Moura, ressaltou que o fortalecimento do SICV Brasil representa um passo estratégico para aproximar conhecimento científico e transformação social.

Estamos falando de uma ferramenta que conecta ciência, sustentabilidade, inovação, inclusão produtiva e desenvolvimento econômico. O Brasil possui condições de liderar globalmente importantes agendas ligadas à economia circular, mas isso exige integração entre academia, governo, setor produtivo e sociedade civil”, destacou.

Ana Clara também integra a representação oficial do Instituto Global ESG na 1ª Conferência Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, tendo sido eleita delegada da instituição para a etapa nacional da conferência. Ao seu lado, representarão o Instituto Global ESG as delegadas Paola Comin, diretora de Relações Internacionais; Suely Martins, do Grupo Esplanada; e Bárbara Silva, da Lagos Data Intelligence.

A agenda também reforçou a relevância da participação dos trabalhadores da reciclagem na construção das políticas públicas voltadas à sustentabilidade.

Representando o setor, Aline Souza destacou que a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) incorporou conceitos centrais relacionados ao ciclo de vida dos produtos, à responsabilidade compartilhada e à logística reversa, tornando indispensável a existência de bases técnicas confiáveis para orientar decisões públicas e privadas.

O SICV Brasil contribui diretamente para pesquisas, formulação de políticas públicas e fortalecimento das cadeias produtivas sustentáveis. Preservar e ampliar esse patrimônio técnico é fundamental para o futuro da economia circular no país”, observou.

A mobilização institucional também possui um objetivo específico: oferecer subsídios técnicos ao debate legislativo atualmente em tramitação no Senado Federal relacionado ao futuro do SICV Brasil e às estruturas nacionais de informação voltadas à sustentabilidade, inovação e economia circular.

Nesse contexto, está sendo articulada uma carta institucional voltada à sensibilização de parlamentares, órgãos públicos, entidades científicas, organizações da sociedade civil e representantes do setor produtivo acerca da importância estratégica do sistema.

A proposta é demonstrar que o SICV Brasil constitui uma infraestrutura pública de conhecimento essencial para a implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, para o fortalecimento da logística reversa, para a formulação de políticas públicas baseadas em evidências, para a promoção da competitividade sustentável das cadeias produtivas brasileiras e para o cumprimento dos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil em matéria ambiental e climática.

O tema também possui conexão direta com a agenda da 1ª Conferência Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, promovida pela Comissão Nacional para os ODS (CNODS), vinculada à Presidência da República.

A defesa do SICV Brasil foi uma das propostas apresentadas durante a etapa livre da conferência denominada “Legado Kofi Annan: Governança, Sustentabilidade e Impacto no Brasil”, organizada pelo Instituto Global ESG. A proposta foi posteriormente priorizada por votação popular realizada na Plataforma Brasil Participativo, do Governo Federal, garantindo sua inclusão entre os temas que seguirão para debate na etapa nacional da conferência.

Além da etapa livre “Legado Kofi Annan”, o Instituto Global ESG e o IBICT realizaram conjuntamente outra etapa livre da Conferência Nacional dos ODS, sediada no auditório do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, tendo como eixo central a temática da tecnologia e inovação sustentável.

A diretora de Relações Internacionais do Instituto Global ESG, Paola Comin, afirmou que a defesa do SICV Brasil representa uma agenda que transcende instituições e setores específicos.

Estamos falando de um ativo estratégico para o país. O SICV Brasil conecta conhecimento científico, inovação, sustentabilidade, competitividade econômica e inclusão social. Sua preservação e fortalecimento interessam ao Estado brasileiro, ao setor produtivo, à academia e à sociedade como um todo”, afirmou.

Já o vice-presidente do Instituto Global ESG e delegado nato da Conferência Nacional dos ODS, Sóstenes Marchezine, que integra a CNODS em representação ao Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (CFOAB), destacou a importância do tema para a agenda nacional de desenvolvimento sustentável.

A discussão sobre o SICV Brasil vai muito além de uma plataforma tecnológica ou de uma base de dados. Trata-se de uma infraestrutura estratégica para a formulação de políticas públicas, para a governança da sustentabilidade e para a construção de um modelo de desenvolvimento baseado em evidências, inovação e responsabilidade intergeracional. Sua presença entre as propostas priorizadas pela sociedade civil na Plataforma Brasil Participativo demonstra a relevância e a maturidade desse debate para o futuro do país”, ressaltou.

Ao final do encontro, os participantes destacaram que a transição para modelos econômicos mais sustentáveis depende não apenas de inovação tecnológica, mas também da valorização da ciência, da democratização do acesso à informação e da construção de pontes permanentes entre governo, academia, setor produtivo e sociedade civil.

Nesse contexto, o SICV Brasil surge como um dos principais instrumentos nacionais para transformar dados em conhecimento, conhecimento em políticas públicas e políticas públicas em desenvolvimento sustentável para toda a população brasileira.