Paola Comin defende cooperação internacional e educação de qualidade como base para implementação efetiva dos ODS
Diretora de Relações Internacionais do Instituto Global ESG destacou, no evento “Advocacia Brasileira na Conferência Nacional dos ODS”, o legado de Kofi Annan, a experiência brasileira em articulação multissetorial e a importância da educação para sustentar cidades inteligentes, inovação e desenvolvimento sustentável
A internacionalista Paola Comin, diretora de Relações Internacionais do Instituto Global ESG, participou como palestrante do evento “Advocacia Brasileira na Conferência Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)”, realizado no Conselho Federal da OAB, em Brasília, e defendeu a cooperação internacional, a educação de qualidade e a articulação entre poder público, iniciativa privada e sociedade civil como pilares para a implementação efetiva da Agenda 2030.
Em sua exposição, Paola destacou que a discussão sobre sustentabilidade e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável precisa recuperar suas origens históricas, especialmente o legado do ex-secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan.
“Costumo começar falando dos ODS sempre citando o legado de Kofi Annan, porque muito se fala sobre os ODS e a sustentabilidade, mas pouco se fala sobre a origem deles”, afirmou.
Segundo a diretora, os ODS evoluíram dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), lançados na virada dos anos 2000, e foram consolidados em 2015 como agenda global de desenvolvimento sustentável.
Paola ressaltou que Kofi Annan foi figura central para a consolidação da pauta internacional da sustentabilidade e do ESG, tendo rompido barreiras históricas como primeiro homem negro a ocupar a Secretaria-Geral da ONU e laureado com o Prêmio Nobel da Paz.
“Kofi Annan foi um baluarte, rompendo tabus para trazer a questão da sustentabilidade e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, declarou.
ESG20+, legado de Kofi Annan e os próximos 20 anos
Durante a palestra, Paola Comin destacou que o Instituto Global ESG tem como uma de suas missões preservar e projetar o legado de Kofi Annan no Brasil e no mundo.
Ela citou a criação da iniciativa ESG20+, estruturada a partir da compreensão de que os 20 anos da formulação do ESG não encerram um ciclo, mas abrem uma nova etapa de compromissos institucionais, empresariais e sociais.
“Agora 20 anos já se passaram do ESG, e temos os próximos 20 anos pela frente”, afirmou.
Segundo Paola, a Agenda 2030 já se encontra em fase decisiva, exigindo maior capacidade de execução, mensuração e coordenação entre instituições.
A diretora também destacou que o Instituto Global ESG desenvolve conselhos temáticos e indicadores voltados a medir a efetividade de práticas sustentáveis, evitando que sustentabilidade seja reduzida a discurso, marketing ou ações pontuais.
“Reciclar lixo, desligar a luz ou fechar a torneira não é meta. Isso é obrigação. Existem metas dentro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, afirmou.
Brasil como referência em articulação multissetorial
Com experiência internacional, especialmente no mercado asiático e em fóruns multilaterais, Paola afirmou que o Brasil possui iniciativas relevantes e, em alguns aspectos, avançadas em relação a outros países, sobretudo na capacidade de articular poder público, setor privado e sociedade civil organizada.
“Eu ouso dizer que não há lugar no mundo que faça o que a gente faz na articulação entre iniciativa pública, privada e sociedade civil organizada”, declarou.
A diretora mencionou experiências internacionais nas quais apresentou modelos brasileiros de articulação institucional, como a Frente Parlamentar ESG na Prática do Congresso Nacional, presidida pelo deputado federal Flávio Nogueira.
Segundo ela, a experiência despertou interesse em representantes de outros países, como o Equador, pela estrutura de frentes parlamentares brasileiras voltadas à construção de agendas temáticas e cooperação com a sociedade civil.
“Eles perguntaram o que era uma frente parlamentar, porque não tinham essa experiência. Explicamos que é uma associação de parlamentares que se unem com a sociedade civil organizada para trabalhar em conjunto”, relatou.
Paola também destacou que o Brasil possui iniciativas relacionadas a benefícios fiscais e tributários para empresas que comprovam práticas sustentáveis, área em que, segundo ela, o país apresenta experiências que podem dialogar com modelos internacionais.
ODS 18 e protagonismo brasileiro
Outro ponto destacado pela palestrante foi a atuação brasileira na construção e internacionalização do ODS 18, voltado à igualdade étnico-racial.
Segundo Paola, o tema ainda não integra formalmente a estrutura universal dos ODS da ONU, mas vem sendo trabalhado no Brasil como contribuição relevante à agenda global.
“O Brasil está à frente na pauta do ODS 18, que é étnico-racial, e temos trabalhado para que isso seja internacionalizado”, afirmou.
Para ela, o país tem condições de exercer maior protagonismo internacional na agenda dos ODS, desde que organize melhor suas iniciativas, fortaleça a governança e amplie a capacidade de cooperação institucional.
“A gente tem coisas que a Europa não tem. A gente tem coisas que a Ásia não tem. Imagine se a gente se organizar”, declarou.
Educação de qualidade como base dos demais ODS
Paola Comin elegeu o ODS 4, relacionado à educação de qualidade, como base indispensável para a efetivação dos demais objetivos.
Segundo ela, não é possível falar em cidades inteligentes, inovação tecnológica, sustentabilidade, respeito étnico-racial ou agricultura familiar sem investir antes em educação.
“A minha ODS preferida é a 4, porque é a educação de qualidade. Não há possibilidade de termos qualquer outra ODS sem educação de qualidade”, afirmou.
A diretora citou o exemplo das cidades inteligentes para sustentar que tecnologia, por si só, não produz desenvolvimento sustentável se não houver formação cidadã, cultura de cuidado com o espaço público e consciência coletiva.
“Não adianta falar em cidades inteligentes se não colocarmos educação de qualidade dentro da escola”, afirmou.
Segundo Paola, a sustentabilidade depende de uma mudança cultural profunda, capaz de fazer com que a inovação seja respeitada, apropriada e preservada pela sociedade.
Perfil da palestrante
Paola Comin é internacionalista e diretora de Relações Internacionais do Instituto Global ESG.
Especialista em mercado asiático, atua em fóruns internacionais e espaços de cooperação multissetorial relacionados à sustentabilidade, ESG, relações internacionais, comércio, diplomacia institucional e desenvolvimento sustentável.
É decana de Relações Internacionais na Convergência de Mulheres Empresárias do Mercosul e integra o grupo de coordenação de Meio Ambiente e Sustentabilidade no Women Business Alliance, grupo oficial de mulheres empresárias dos BRICS.
No Instituto Global ESG, atua na articulação de parcerias internacionais, na difusão do legado de Kofi Annan e na promoção de iniciativas voltadas à Agenda 2030, ao ESG20+ e à cooperação entre Brasil, organismos internacionais, instituições públicas, setor privado e sociedade civil organizada.
Sobre o evento
O evento “Advocacia Brasileira na Conferência Nacional dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)” foi promovido pelo Conselho Federal da OAB como etapa integrante do ciclo oficial da 1ª Conferência Nacional dos ODS, vinculada à Comissão Nacional para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (CNODS), da Secretaria-Geral da Presidência da República.
A programação reuniu autoridades públicas, representantes dos Três Poderes, integrantes do sistema de Justiça, parlamentares, especialistas, pesquisadores, dirigentes institucionais, representantes da advocacia nacional e da sociedade civil organizada para discutir o papel da advocacia brasileira na implementação da Agenda 2030.
Ao longo dos painéis, foram debatidos temas ligados à governança pública, ESG, sustentabilidade, cidades inteligentes, justiça climática, desenvolvimento econômico sustentável, inclusão social, tributação, compliance, direitos fundamentais e formulação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável no Brasil.
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