Informação, governança de dados e ESG estruturam debate sobre sustentabilidade ambiental em conferência nacional dos ODS
Participação de Sóstenes Marchezine reforça papel estratégico do Ibict/MCTI e destaca avanço do Programa ESG20+ e do Marco Regulatório do ESG para o Desenvolvimento Sustentável
A relação entre informação, governança de dados e sustentabilidade ambiental esteve no centro do Painel Ambiental — Eixo 2 da I Conferência Livre dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – Informação para Sustentabilidade, realizada sob coordenação do Ibict e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Governo Federal brasileiro.
Durante o encontro, o advogado e vice-presidente do Instituto Global ESG, Sóstenes Marchezine, destacou que a qualidade, a integração e a governança da informação são fatores estruturantes para a implementação efetiva da Agenda 2030 no Brasil.
Segundo ele, a fragmentação informacional ainda representa um dos principais entraves à consolidação dos ODS no país. “Não se trata apenas de um desafio tecnológico, mas de um problema institucional. É preciso construir arranjos que garantam interoperabilidade, confiabilidade e uso estratégico dos dados públicos”, afirmou.
Marchezine ressaltou o papel do Ibict/MCTI como agente central nesse processo, ao articular ciência da informação, tecnologia e políticas públicas. “Não há ESG efetivo sem governança da informação, não há sustentabilidade mensurável sem dados estruturados, e não há política pública eficiente sem inteligência informacional”, declarou.
A conferência reuniu representantes de instituições como a Agenda Ambiental da Administração Pública, o Ministério do Meio Ambiente, a Embrapa, a agência alemã GIZ, a associação ANATC, a emprega Lagos, dentre outros pontos focais do governo e organizações da sociedade civil, consolidando um ambiente de construção multissetorial.
No painel, também foi destacada a atuação do Movimento Interinstitucional ESG na Prática e do Programa ESG20+, iniciativa que reúne diferentes instituições em torno de uma arquitetura nacional de convergência baseada em 20 princípios norteadores. O Ibict/MCTI integra esse arranjo como colíder e coordenador de conselho permanente voltado à inovação e tecnologia sustentável.
Outro ponto de destaque foi o lançamento do Relatório Executivo da primeira etapa do Marco Regulatório do ESG para o Desenvolvimento Sustentável (MRESG), documento que consolida contribuições de centenas de instituições públicas e privadas. “Estamos diante de uma construção coletiva que inaugura uma nova fase, com maior densidade técnica, rastreabilidade e capacidade de implementação”, pontuou, agradecendo o papel fundamental da ABRIG e da Lagos nesse processo.
O dirigente também chamou atenção para o caráter estrutural da agenda ambiental no cenário contemporâneo. “A sustentabilidade deixou de ser um tema setorial e passou a integrar a base da competitividade econômica, da estabilidade institucional e da legitimidade das políticas públicas”, afirmou.
Nesse contexto, citou a cooperação com a Embrapa, destacando o avanço do Programa Embrapa ESG na Prática e o papel da instituição no desenvolvimento sustentável do agro brasileiro, especialmente no momento em que completa 53 anos de atuação.
A agenda também incorporou o anúncio do edital para a obra coletiva “ESG na Prática: Legado e Ação em prol do Desenvolvimento Sustentável — Estudos em homenagem póstuma a Kofi Annan”. A iniciativa, vinculada ao ESG20+, busca reunir estudos aplicados capazes de contribuir para a formulação normativa e institucional do ESG no Brasil.
De acordo com Marchezine, a proposta vai além do registro acadêmico. “A obra se posiciona como plataforma de produção de conhecimento aplicado, com potencial de influenciar políticas públicas, marcos regulatórios e decisões institucionais”, disse.
O projeto editorial é desdobramento do evento “Legado Kofi Annan” - realizado em 8 abril de 2026, dia que marca a data de nascimento do saudoso Kofi Annan e é celebrado no âmbito do movimento como Dia Internacional do ESG para o Desenvolvimento Sustentável - e integra o processo preparatório da Conferência Nacional dos ODS, coordenado no âmbito da Presidência da República.
Ao final, o representante do Instituto Global ESG reforçou o caráter estratégico da conferência, que também tem função deliberativa na construção de propostas e na indicação de delegados para a etapa nacional dos ODS. Ele aproveitou para convidar os participantes para a etapa da advocacia brasileira, marcada para 5 de maio no plenário do Conselho Federal da OAB.
“Estamos diante de uma oportunidade concreta de influenciar os rumos da política pública brasileira em sustentabilidade. Isso exige compromisso com a integração institucional, com a qualidade da informação e, sobretudo, com a implementação real do desenvolvimento sustentável no país”, concluiu.